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Por que Trump não vai à Copa?

Ausência de presidente dos Estados Unidos, sempre afeito à atenção das câmeras, intriga americanos

Por Felipe Carneiro, de Los Angeles 25 jun 2026, 07h00 | Atualizado em 25 jun 2026, 07h07
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Para quem assiste às partidas da Copa do Mundo, parece que  o presidente da Fifa, Gianni Infantino, está em todos eles. As celebridades também estão lá, a cada uma das polêmicas pausas para hidratação, as televisões cortam imediatamente para seus rostos nas arquibancadas. Tem para todos os gostos, de ex-craques como Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho a divas pop como Katy Perry e Shakira, passando por influencers e políticos de todas as matizes. Só não se vê o principal anfitrião, o presidente dos Estados Unidos, Mr. Donald Trump.

Ninguém entende o porquê. A Copa tem tudo o que ele gosta: futebol, holofotes e, de modo até surpreendente, um time americano vencedor. Sua paixão pelo futebol tem diversos registros. Nos últimos meses, ele recebeu na Casa Branca para noites de gala tanto Lionel Messi, quando o Inter Miami foi campeão nacional, em março, quanto Cristiano Ronaldo, em um convescote com o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman e convidados. Prova maior de que entende do assunto veio em dezembro último, no sorteio de grupos da Copa. Perguntado sobre seu jogador preferido, cravou: “Na minha opinião, Pelé é o maior jogador de futebol de todos os tempos”.

É claro que o cargo de presidente da maior potência do planeta, às voltas com uma guerra no Irã e uma inflação que não cede, faz de Trump um homem ocupado. Mas só neste mês, ele achou tempo para ir a um dos jogos das finais da NBA no Madison Square Garden, em Nova York, e recebeu um evento do UFC na Casa Branca. Enquanto isso, a seleção americana vence jogos na Copa do Mundo em casa, com multidões nas ruas e audiências recordes na TV, e nada de Trump.

A explicação oficial é mesmo sua agenda. Andrew Giuliani, diretor-executivo da força-tarefa da Copa do Mundo na Casa Branca, disse que o presidente não compareceu ao jogo de estreia dos Estados Unidos, contra o Paraguai, por causa de uma agenda “extremamente congestionada” em Washington. No dia do segundo jogo americano, contra a Austrália em Seattle, Trump estava numa base militar perto da capital para o lançamento do novo avião oficial da presidência, o Air Force One, presenteado pelo Qatar.

Mas há uma explicação não oficial que circula nos bastidores de Washington. A assessoria de Trump estaria em “modo de crise” tentando evitar que o presidente seja exposto a vaias em estádios lotados de torcedores de todo o mundo. O contexto reforça a hipótese. Na final da Copa do Mundo de Clubes, no ano passado, Trump foi vaiado ao entrar em campo. No próprio UFC Freedom 250, realizado no gramado da Casa Branca no dia do seu aniversário, a recepção foi mista. No Madison Square Garden, durante as finais da NBA, a plateia nova-iorquina também o recebeu com apupos. 

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A explicação faz sentido. Os brasileiros vão se lembrar que a presidente Dilma foi igualmente hostilizada na final da Copa de 2014, no Maracanã. E, justiça seja feita, a presidente mexicana também está evitando as arquibancadas. A diferença é que Trump disse várias vezes que queria ir a vários jogos. Claudia Sheinbaum falou publicamente sobre o assunto, e doou seu ingresso a uma jovem indígena que ganhou um concurso do governo. “Como presidente, é melhor que eu ceda meu lugar a alguém que não tem a chance de ir de outra forma”, disse. Já o primeiro-ministro canadense Mark Carney perdeu a estreia do Canadá em Toronto porque estava na França para a cúpula do G7, mas foi ao segundo jogo e testemunhou a goleada por 6 a 0 sobre o Qatar em Vancouver.

Trump foi um dos arquitetos políticos desta Copa. Lançou a candidatura para ser sede em seu primeiro mandato, criou uma força-tarefa presidencial para organizar a segurança do torneio, recebeu Infantino no Salão Oval mais vezes do que qualquer outro líder mundial, discursou no sorteio de grupos em dezembro e ganhou das mãos da Fifa o seu primeiro Prêmio da Paz. Em dezembro, no Kennedy Center, chegou a defender que o futebol americano devesse mudar de nome — porque o verdadeiro football, argumentou, é o esporte que o resto do mundo conhece assim. A seleção americana ganhou seus dois primeiros jogos e já está classificada para as oitavas de final. As audiências batem recordes. O país está vibrando.

A final está marcada para 19 de julho, no estádio de Nova York New Jersey. Infantino já confirmou que estará lá para entregar o troféu ao campeão. 

A seleção americana entra em campo contra a Turquia nesta quinta-feira, 25, às 23h (horário de Brasília), no estádio de Los Angeles. Com duas vitórias, os EUA não podem mais ser ultrapassados pelos rivais do grupo D. Não tem como dar errado. Será que o narcisismo de Trump vai aguentar ficar de fora da festa que se espera de um time já classificado?

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Estádio de futebol lotado com bandeira do Brasil e bola no campo, e um jogador de camisa amarela comemorando. À direita, capas de revistas Veja, Super, Viagem e Quatro Rodas flutuando sobre fundo verde escuroTorcedor de costas, vestindo camisa amarela, comemora com os braços erguidos em um estádio de futebol lotado, sob um céu verde-azulado. Uma bola de futebol com a bandeira do Brasil está no campo. À direita, um fundo verde escuro com um pequeno ícone de árvore branca no canto inferior direito
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