Primeira treinadora de Endrick explica incômodo do atacante na Copa
Exclusivo: Marília Rocha conversou com a coluna GENTE
A ausência de Endrick entre os titulares na estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2026, que terminou em um empate contra o Marrocos, provocou críticas ao técnico Carlo Ancelotti e mobilizou parte da torcida, que pede a escalação do atacante para a partida contra o Haiti, nesta sexta-feira, 19. O próprio atleta não escondeu o incômodo por não ajudar a seleção no último sábado, 13. Em uma leitura labial durante o primeiro jogo, Endrick aparece ao lado de Neymar reclamando da situação: “Mas é isso, né. Uai, se eu pudesse, eu entrava”.
Para a primeira treinadora do atacante, Marília Rocha, 42 anos, a reação não foi surpresa. Ela afirma reconhecer no astro do Real Madrid o mesmo menino que conheceu aos 4 anos em uma escolinha de futebol de Valparaíso de Goiás (GO). “Eu consigo enxergar ele hoje adulto e ele criança. Porque ficava com a mesma cara de revolta quando eu colocava ele no banco há 15 anos”, conta à coluna GENTE.
Segundo Marília, Endrick sempre demonstrou uma competitividade incomum para a idade. Jogando frequentemente em categorias acima da sua, ele queria ser protagonista em todos os momentos. “Gostava de jogar com a camisa 10, com a faixa de capitão, queria bater falta, bater pênalti. Tudo ele queria fazer”, relembra a treinadora, que costumava deixá-lo no banco em algumas partidas para ensinar a importância de dividir espaço: “Ele odiava”.
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Marília acompanhou Endrick dos 4 aos 10 anos, quando seguiu para as categorias de base do Palmeiras. Mesmo após a saída dele para centros maiores de treinamento, ela continuou acompanhando sua trajetória e mantém até hoje a identificação com o jogador. Em seu perfil nas redes sociais, ainda se apresenta como “a primeira treinadora do Endrick”. O vínculo, entretanto, vai além do futebol.
“O Endrick não foi apenas um aluno. Foi um menino que cresceu junto com o meu filho, frequentava a minha casa. Ele vinha de uma realidade muito humilde. O pai dele me procurou porque não tinha condições de pagar a mensalidade nem comprar material. Eu decidi ajudá-lo e dar todo o suporte possível para que pudesse desenvolver o talento que tinha. Hoje, ver o nome dele repercutindo no mundo inteiro é um orgulho”, celebra a mentora, cujo filho, Lucas, trabalha como assessor pessoal do atacante no Real Madrid.
Rocha se mostra otimista em relação à utilização do atacante diante do Haiti. Para ela, a pressão popular após a estreia dificilmente passará despercebida por Ancelotti. “Acho que ele pode até entrar como titular. Se não entrar, no segundo tempo é certeza. A torcida estava gritando o nome dele no jogo passado e acredito que o técnico sentiu essa pressão”, avalia.
Marília também não esconde a convicção de que o pupilo merece mais espaço na equipe. “Não vejo hoje outro jogador com as características do Endrick. Ele é decisivo. A Copa do Mundo é um sonho para ele, e aquela fala para o Neymar mostra exatamente isso. Ele sabe o potencial que tem e acredita que pode fazer a diferença”, finaliza.
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