Tempestade perfeita: a nova geração do tênis brasileiro
Luís Guto Miguel, um goiano de 17 anos com uma direita poderosíssima, conquistou a edição júnior de Roland Garros
Nos últimos anos, sempre que surgia um garoto talentoso empunhando uma raquete, alguém perguntava se ele seria o novo Guga. De frustração em frustração acabamos tendo a sorte de encontrar João Fonseca. Em Roland Garros, o torneio mais charmoso do mundo, o prodígio de 19 anos chegou às quartas de final depois de derrotar ninguém menos que Novak Djokovic, o maior vencedor da história desse esporte, e Casper Ruud, duas vezes finalista do Grand Slam francês. Enquanto Fonseca brilhava entre os profissionais, outro brasileiro fazia barulho nas quadras vizinhas. Luís Guto Miguel, um goiano de 17 anos com uma direita poderosíssima — e um estilo de jogo que lembra o do compatriota um pouco mais velho —, conquistou a edição júnior de Roland Garros, o que o levou a assumir a liderança do ranking mundial da categoria. Campeões de Grand Slam, ainda que juvenis, não aparecem todos os dias. Muito menos no Brasil. E há um detalhe que torna a história ainda mais interessante. No feminino, o país passou a ter, pela primeira vez, duas tenistas entre as dez melhores juvenis do mundo. Victoria Barros e Nauhany Silva, ambas com 16 anos, ocupam a terceira e a sétima posições no ranking mundial, e não param de subir rumo ao topo. O tênis está cheio de promessas que dominaram as categorias de base e desapareceram quando chegou a hora de enfrentar o circuito profissional. Mas o que impressiona agora é a quantidade de talentos surgindo ao mesmo tempo. A Brazilian Storm, como vem sendo chamada a nova geração, está pronta para invadir o tênis mundial. Depois de anos de calmaria, uma tempestade brasileira vem aí.
Publicado em VEJA de 12 de junho de 2026, edição nº 2999







