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Um fenômeno das multidões: será o “ro” norueguês a nova ola?

A comemoração dos noruegueses virou sucesso na Copa do Mundo - e até a turma de Haaland aderiu à onda

Por Fábio Altman Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 23 jun 2026, 11h15
Um fenômeno das multidões: será o “ro” norueguês a nova ola? Priorize VEJA no Google

Não há dúvida: a Copa do Mundo de 2026 vai entrar para a história como uma das melhores de todos os tempos, se não a melhor, com o desempenho espetacular de craques como Messi e Mbappé, em um plano especial, e o de coadjuvantes de tirar o fôlego, como Haaland. Será lembrada, também, pelas imagens espetaculares que produz dentro e fora dos estádios, dado o manancial de câmeras instaladas em tudo quanto é quanto, inclusive no rosto dos juízes. E estará nas enciclopédias pela graça da comemoração dos noruegueses, que retornam a um mundial pela primeira vez desde 1998 (quando, aliás, derrotaram o Brasil no terceiro jogo da fase de grupos).

O nome da brincadeira é o “ro” – um movimento coordenado disparado ao toque do tambor, em vaivém que remete ao remo. A ideia nasceu do Oljeberget Supporterklubb, o clube oficial de torcedores da Noruega. Pegou, mas pegou mesmo – até mesmo os jogadores de vermelho, depois da vitória por 3 a 1 contra o Senegal, entraram no jogo para comemorar a classificação para a fase eliminatória. Acontece nas ruas ao redor da Times Square, brota nas escadas rolantes dos shoppings e das estações de metrô. Onde quer que despontem fãs da seleção viking de Haaland, prepare-se: vai rolar o “ro”. E ai de quem não se animar. Viralizou a cena do torcedor carrancudo que se recusou a mexer os braços, bravo sabe-se lá com o quê.

 Tudo começa com um dos “capos” (ou capitães, inspirados nos grupos de ultras da Europa que lideram e coreografam os cânticos) soprando uma corneta viking, sinalizando que é hora de colocar os dois braços à frente e se preparar para remar. A coreografia é liderada por outro capo do Oljeberget, que fica em frente aos torcedores. Após duas batidas no tambor, os fãs simulam o movimento de remo e gritam “ro” (remar em norueguês) em uníssono. Começa devagar, depois acelera, terminando com os torcedores se levantando de seus assentos e cantando. Contra o Senegal, a buzina foi tocada por um torcedor da Noruega enquanto o capitão da equipe, Martin Odegaard, batia no tambor para coordenar o movimento de remada.

É novidade realmente recente. Estreou em março, no empate em 0 a 0 em um amistoso contra a Suíça, como preparação para a Copa do Mundo. Embora o “ro” tenha identidade própria, não há dúvida ter se inspirou no icônico “trovão” da Euro 2016, especialidade da turma da Islândia. A origem do estrondo (às vezes chamado de palma viking) é controversa, com vários clubes na Europa reivindicando a criação da tendência, mas os islandeses a popularizaram. O estrondo é geralmente liderado por um fã designado, que bate palmas acima da cabeça e grita “huh!” em um tom grave e gutural. Assim como no “ro”, a ação repetida e o grito começam lentamente e gradualmente aceleram.

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A mecânica da ola

É sempre fascinante ver o nascer de festejos de torcedores – e não há, portanto, como escapar da “ola”. Sempre se acreditou ter nascido na Copa do Mundo do México, em 1986, mas não. A iniciativa foi vista pela primeira vez, em um grande estádio, em 1981, em uma disputa de beisebol na Califórnia. Virou mania, colou – é fácil de fazer, digamos assim, mais simples do que o “ro”. Tão simples, e tão fascinante, que virou objeto de estudo de um grupo de físicos dos Estados Unidos. A conclusão: a onda típica avança a uma velocidade de 12 metros – ou 20 assentos – por segundo. À medida que se espalha pela multidão, a onda tem entre 5 e 12 metros de largura, o equivalente a quinze cadeiras, com perfil extraordinariamente estável. O mais bacana: apenas 25 a 35 pessoas de pé ao mesmo tempo são suficientes para desencadear uma ola. Ou seja: um pequeno grupo de entusiastas pode atrair dezenas de milhares de pessoas. O que dizer? “Ro”!, e que as olas e os remadores não saiam da festa.

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Torcedores fazem ola durante o jogo entre Brasil e Croácia no Itaquerão, em São Paulo
A ola na Copa de 2014, em Itaquera: criação americana (Paulo Vitale/VEJA/VEJA)
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