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Um inédito e surpreendente capítulo na vida e morte de Diego Maradona

Novo julgamento na Justiça argentina investigará a morte do craque, em 2020

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 14 abr 2026, 09h55
  • O argentino Diego Armando Maradona fez de sua vida dentro e fora dos gramados uma aventura quase indizível. Foi como se, sem as chuteiras, ele tivesse sempre de driblar a existência – assediado, cultuado, atraído pela Máfia italiana, envolvido com drogas e períodos de recuperação, dramático como um tango argentino. Na morte, a toada parece ser a mesma. Um novo julgamento em torno dos motivos que o levaram a sofrer uma insuficiência cardíaca fatal, em 25 de novembro de 2020, aos 60 anos, começa nessa terça-feira, em Buenos Aires.

    O primeiro julgamento, previsto para maio de 2025, foi anulado depois que um dos três juízes do caso supostamente permitiu filmagens não autorizadas no tribunal para um documentário. Os médicos do gênio canhoto são acusados de negligência na prestação de cuidados médicos adequados – sete pessoas serão julgadas por homicídio doloso. Elas negam as acusações. Se condenadas, podem pegar de oito a 25 anos de prisão.

    BUENOS AIRES, ARGENTINA - MARCH 10: A fan holds a banner that reads in Spanish
    Protestantes em março de 2021 na Argentina: “Diego não morreu, o mataram” (Marcos Brindicci/Getty Images)

    O camisa 10 estava se recuperando de intermináveis problemas de saúde em sua casa em Tigre, na província de Buenos Aires, após uma cirurgia bem-sucedida para remover um coágulo de sangue no cérebro no início daquele mês de novembro. As investigações indicaram que os profissionais responsáveis por atendê-lo tinham conhecimento da gravidade do estado físico de Maradona, mas não tomaram as medidas necessárias para salvá-lo.

    A insuficiência cardíaca fez com que ele sofresse edema pulmonar agudo, em que há acúmulo de líquido nos pulmões, conforme confirmou a autópsia preliminar. Um painel de especialistas convocado pelos promotores para investigar a equipe médica de Maradona, afirmou que o tratamento que ele recebeu em casa foi “deficiente e imprudente”. A conclusão: ele “teria tido uma chance maior de sobreviver” com tratamento adequado em uma unidade médica apropriada, e não de modo domiliciar. Entre as sete pessoas que estão sendo julgadas estão seu principal conselheiro médico, Leopoldo Luque, e sua psiquiatra, Agustina Cosachov. Sua ex-enfermeira, Dahiana Gisela Madrid, será julgada em um julgamento separado.

    Cerca de 100 pessoas devem depor perante um novo grupo de juízes em um tribunal em San Isidro, incluindo as filhas de Maradona. O julgamento deve durar até julho, já com a Copa do Mundo em andamento – e uma vez mais, ele seguirá fazendo barulho, imparável, incômodo, genial.

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