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Brasil prova que, além de produtor, pode ser referência na degustação de café

A ascensão de cafeterias brasileiras no ranking das melhores do mundo é um exemplo do prestígio na área

Por Natalia Tiemi Hanada Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 5 abr 2026, 08h00

Há cerca de dez anos, o paulistano Gabriel Penteado esteve diante de um dilema profissional. Arquiteto de formação, ele achou que era hora de virar empreendedor, mas não sabia qual rumo tomar. Como gostava de café, teve um lampejo: apostou em uma casa devotada à bebida, num momento em que a oferta e o consumo de versões gourmetizadas engatinhavam no país. “Não tinha conhecimento nenhum”, relembra. Penteado adaptou a área de seu antigo quarto de dormir na casa dos pais —no bairro da Vila Madalena, em São Paulo — para montar o negócio. Aberto em 2017 com esse espírito simples e caseiro, o Cupping Café foi a faísca da linha de frente de uma tendência atualíssima: a ampliação do prestígio internacional do mercado de degustação de café no Brasil.

A ascensão é impulsionada por um circuito vibrante de estabelecimentos que investem em diferentes torras e origens de qualidade, além de métodos de preparo peculiares. Nos últimos anos, negócios assim foram surgindo nas metrópoles do país, e aquilo que a princípio parecia mero modismo logo se mostrou um segmento fértil que ganhou reconhecimento até no exterior. O pioneiro Cupping Café é uma das duas cafeterias nacionais no recém-divulgado World’s 100 Best Coffee Shops, maior ranking mundial da categoria. É a segunda vez que a casa paulistana entra nessa lista estrelada — e a ela se soma agora um segundo representante brasileiro: a carioca Coffee Five, instalada numa galeria no centro do Rio de Janeiro.

A entrada do Brasil nesse clube seleto é a chance de uma reparação necessária. No ano que vem, comemoram-se os 300 anos da chegada do café ao país. O produto forjou o progresso da nação e fez do Brasil uma potência que ainda hoje lidera esse mercado, com 38% da produção global. Um bom cafezinho faz parte da tradição nacional — mas, paradoxalmente, a maior parte dos grãos de alta qualidade é exportada. Apenas em tempos recentes o país começou a incentivar o consumo e a exploração comercial de suas versões gourmet por aqui.

PARECE MÁGICA - Barista da carioca Coffee Five: paladar gourmet faz bebida virar pura ciência
PARECE MÁGICA - Barista da carioca Coffee Five: paladar gourmet faz bebida virar pura ciência (@coffeefiverj/Instagram)

A projeção das duas cafeterias brasileiras é um passo positivo que ilumina o potencial do país — e os desafios — para ganhar realce nessa seara. A cena do café especial ainda é tímida no varejo, com 1% de participação no volume total, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). “Há apenas vinte anos conhecemos outros perfis de café. Estamos descobrindo aos poucos esse novo paladar”, diz Celírio Inácio, diretor-­executivo da instituição. Já se nota, de fato, um agradável odor de crescimento no ar. Um dos indícios é comportamental. Dados da Euromonitor International apontam que a faixa etária dos 16 aos 25 anos assumiu a ponta de maiores interessados na bebida em 2025, motivada pela popularização de cafeterias e pela curiosidade em conhecer suas nuances de sabor.

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Um fator não menos relevante é a profissionalização das estrelas dessas casas — os baristas, mestres em torras e afins. Consagrada no ofício, a empresária Isabela Raposeiras tornou-se pioneira na formação de novos profissionais com sua escola e cafeteria Coffee Lab, em São Paulo. “O interesse pelos cursos, tanto de formação quanto para amantes de café, é enorme. As pessoas estão cada vez mais interessadas em apreciá-lo da melhor forma”, afirma.

Em templos de culto à bebida, ela ganha métodos de preparo especiais. Uma engenhosidade quase científica nos rituais de coação e no modo de servi-la embala a fama de cafeterias arrojadas mundo afora. O ranking global prova que o bom café não tem fronteiras: se a americana Onyx Coffee Lab surge no topo, em sua cola está uma casa da Noruega, a Tim Wendelboe, seguida do Alquimia Coffee, de El Salvador. As nacionais não ficam atrás. Aberta há oito anos, a carioca Coffee Five oferece dezoito versões da bebida saídas de aparelhos dignos de um laboratório de química, a preços entre 10 e 30 reais. “A Five quer proporcionar experiências. Quero que a pessoa aprenda algo novo e que cada visita seja sensorial e única”, diz a dona e expert Rafaela Nascimento. Nada como um cafezinho com aroma de prestígio.

Publicado em VEJA de 3 de abril de 2026, edição nº 2989

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