Restaurante propõe experiência introdutória no mundo dos vinhos naturais e orgânicos
Com carta assinada pela sommelière Lis Cereja, o Tau Cozinha casa pratos à base de vegetais com rótulos “naturebas”

Como principal defensora dos vinhos naturais do país e organizadora da maior feira dedicada aos rótulos produzidos com mínima intervenção, Lis Cereja diz que só aceita assinar a carta de vinhos de um restaurante se ela puder escolher apenas naturais, orgânicos e biodinâmicos. Fora de seu próprio estabelecimento, a Enoteca Saint Vin Saint, agora um outro endereço da capital paulista tem uma carta nestes moldes: o Tau Cozinha, na Vila Madalena, em São Paulo.
O restaurante abriu as portas há seis meses com a proposta de oferecer alta cozinha feita pelos chefs Fábio Battistella e Gabriel Haddad apenas com vegetais. E a decisão de elaborar uma carta totalmente natureba fazia sentido. “É uma atitude disruptiva mesmo em uma cidade como São Paulo”, conta Lis Cereja. A “carta introdutória” ao mundo dos naturais foi pensada com o objetivo de aproximar o cliente desse universo – que pode ser muito diferente até enófilos mais experientes.

Segundo Lis, a seleção foi pensada para tirar o estereótipo de “vinho esquisito” que os naturais costumam ser. De cara, surpreende a escolha do borbulhante de caju produzido pela Companhia dos Fermentados, uma das marcas mais criativas do mercado de bebidas.
No total, são 20 rótulos. Há boas surpresas, como um Prosecco da produtora Carolina Gatti muito interessante, com notas florais, que quebra o preconceito que existe com outros rótulos da região de Treviso, na Itália. Ou o Ânfora Ribas, produzido em São Roque, São Paulo, pela Bellaquinta. Há laranjas, como são conhecidos os brancos produzidos como tintos, com períodos em contato com as cascas da uva, além de rosados e tintos. Há curiosidades, como um Malbec natural produzido na Argentina, e um delicioso tinto da Borgonha, na França, feito com a uva Pinot Noir.
A carta estará disponível a partir da próxima semana, no Tau Cozinha. O preço das garrafas começa em R$ 131, no caso do Ânfora Ribas, e chega a R$ 365, no caso do tinto da Borgonha. Mas a maior parte está abaixo dos R$ 200 – valores bastante razoáveis para ajudar a popularizar esses vinhos.