‘Seafood boil’: a moda de restaurantes que servem comida sem pratos à mesa
De origem americana, o "saco de frutos do mar" tem conquistado a internet - e o paladar - de brasileiros
Esqueça guardanapos ao colo, talheres bem posicionados, modos adequados ao se sentar numa refinada mesa para se degustar frutos do mar. Tem chamado cada vez mais a atenção no Brasil a experiência de se provar o seafood boil. O prato consiste em camarões, lagostas e caranguejos servidos em um saco plástico, isso mesmo, misturados a milho, batata, calabresa e muito, muito molho picante. Para servir, nada de qualquer requinte: o garçom joga a comida direto na mesa, e os clientes comem com as mãos, sem pudor.
De origem americana, o prato surgiu no estado da Louisiana, herança da mistura cultural entre colonos franceses e espanhóis com africanos escravizados. No Brasil, a iguaria se tornou conhecida simplesmente como “saco de frutos do mar”. Publicações de pessoas experimentando a iguaria têm angariado milhões de visualizações nas redes sociais, com muitos manifestando interesse em provar — e outros tantos dizendo ter nojo da bagunça de tamanha experiência.
Atualmente, o principal polo da tendência é São Paulo, onde se concentram mais estabelecimentos que servem o prato. Os vídeos publicados nas redes sociais mostram as pessoas se lambuzando com a fartura “sem modos” à mesa. De acordo com Fernando Alves, proprietário do Santo Mar, um dos que mais vendem tal “bagunça gastronômica”, o prato se tornou o carro-chefe da casa, com valores que chegam a 450 reais, incluindo King Crab. Sem o caranguejão, cai para 300 reais.
Embora seus custos com material de limpeza e itens como o babador e guardanapo tenham aumentado – sem nem precisar explicar o porquê – ainda assim, diz o proprietário, vale a pena investir na moda. “Tivemos um aumento de 15% nos gastos com itens de limpeza e descartáveis, mas uma alta de 50% no faturamento desde que começamos a servir o seafood boil. Então é um custo que se dilui bem”.
Outras capitais do Brasil já começaram a registrar um aumento na oferta do prato, que dispensa qualquer regra de etiqueta. No Rio de Janeiro, a tendência já está aparecendo em restaurantes especializados em frutos do mar, resultado do aumento no interesse do público. Um movimento emergente também surge em Salvador, Curitiba e Manaus, mostrando que, apesar da controvérsia sobre ser ou não “nojento”, segue despertando interesse nos brasileiros. Haja coragem.
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