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A virada de página na Hungria com a derrota de Orbán

No domingo 12, o conservador Péter Magyar, 45 anos, agitava a bandeira húngara festejando um extraordinário feito

Por Caio Saad Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 17 abr 2026, 06h00 | Atualizado em 17 abr 2026, 09h52
A virada de página na Hungria com a derrota de Orbán Priorize VEJA no Google

Já era tarde da noite, mas a multidão que tomou a avenida que margeia o Rio Danúbio, em frente ao Palácio Carmelite, a bela sede do poder em Budapeste, demonstrava ânimo de sobra para celebrar. As pessoas estavam embaladas por uma daquelas notícias com força para ingressar nos livros de história: após dezesseis anos no comando da Hungria, Viktor Orbán, que se tornou ídolo da direita radical em marcha no globo ao engolir as instituições de modo a se manter na cadeira de premiê, fundando um sistema autocrata que ele próprio chama de “democracia iliberal”, foi fragorosamente derrotado por um outrora aliado de seu partido, o Fidesz. No domingo 12, o conservador Péter Magyar, 45 anos, agitava a bandeira húngara festejando o extraordinário feito de não apenas ter cravado uma vitória da qual os observadores duvidaram até o final, mas tê-la conseguido com larga margem, arrebanhando dois terços do Parlamento em uma união do novato Tisza com siglas da esquerda à direita. Foi impulsionado por jovens que aspiravam à mudança, por uma economia cambaleante que dói no bolso e pela habilidade de encarnar o discurso anticorrupção, que caiu muito bem em meio a escândalos por todos os lados. “Faremos tudo para restaurar o estado de direito”, prometeu ele, que ainda não deu grandes detalhes sobre os próximos passos. Em um tópico, porém, deixou bem claro: a agenda será afinada com a da União Europeia, bloco a que o país pertence, mas no qual foi por todo esse tempo um corpo estranho, próximo da arqui-inimiga Rússia de Vladimir Putin. A ver como a derrocada de Orbán, que Donald Trump apoiou abertamente, vai repercutir na extrema direita global.

Publicado em VEJA de 17 de abril de 2026, edição nº 2991

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