Agência da ONU aprova resolução que exige inspeção do programa nuclear do Irã
Proposta pelos EUA, medida considera 'essencial e urgente' que o governo iraniano entregue informações completas sobre seu estoque de urânio enriquecido
O Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) aprovou nesta quarta-feira, 10, em Viena, uma resolução que exige que o Irã permita a verificação de seu estoque de urânio enriquecido e o acesso total de inspetores da agência da ONU às instalações nucleares.
Proposta pelos Estados Unidos com apoio de Reino Unido, França e Alemanha, a medida foi aprovada por 21 dos 35 integrantes do conselho. Houve 10 abstenções, enquanto Rússia, China e Níger votaram contra.
A resolução considera “essencial e urgente” que o governo iraniano entregue, “sem demora”, informações completas sobre suas reservas de material nuclear e sobre o projeto de suas instalações.
O impasse em torno do programa nuclear iraniano se arrasta há mais de uma década. Em 2015, o Irã firmou um acordo com diversas potências mundiais, incluindo os Estados Unidos, para limitar o enriquecimento de urânio e impedir o desenvolvimento de armas nucleares.
O pacto, porém, foi abandonado por Washington durante o primeiro mandato do presidente Donald Trump, levando Teerã a ampliar gradualmente suas atividades nucleares.
Segundo estimativas da AIEA, antes dos ataques israelenses e americanos às instalações nucleares iranianas no ano passado, o país possuía cerca de 441 quilos de urânio enriquecido a até 60%, nível considerado próximo do necessário para armamentos nucleares. Apesar dos danos causados aos complexos nucleares, acredita-se que parte significativa desse material tenha sobrevivido.
“Os ataques do regime israelense e da América às instalações nucleares do Irã interromperam as atividades de verificação e forçaram os inspetores da agência a deixar o Irã por razões de segurança”, disse o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, no X antes da votação do Conselho de Governadores. “Agora, a América busca transformar as consequências de seu ataque ilegal em um caso contra a República Islâmica do Irã”, acrescentou.
A resolução da AIEA foi aprovada em meio a uma nova escalada das tensões na guerra após a queda de um helicóptero de ataque americano perto do Estreito de Ormuz ser atribuída a Teerã pelo presidente dos EUA, que ordenou uma onda de ataques em retaliação.
Nesta quarta, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, criticou o estado de “nem guerra, nem paz” com os Estados Unidos e apelou por negociações, embora tenha advertido que as forças iranianas não recuarão diante de ameaças.







