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Agência da ONU confirma danos em usina nuclear do Irã

Avaliação com base em imagens de satélites se dá em meio aos ataques de Estados Unidos e Israel iniciados no último final de semana

Por Caio Saad Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 mar 2026, 11h25

A Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), órgão ligado às Nações Unidas, confirmou nesta terça-feira, 3, que danos foram identificados em instalações ligadas à central de enriquecimento de urânio de Natanz, no Irã, em meio aos ataques de Estados Unidos e Israel iniciados no último final de semana.

Em análise feita a partir de imagens de satélite, o órgão afirma que os impactos atingiram estruturas de acesso à instalação nuclear. Não são esperadas consequências radiológicas.

+ Irã diz que instalação nuclear de Natanz foi atingida por ataques de EUA e Israel

Localizada a cerca de 200 quilômetros a sudeste de Teerã, a usina de Natanz é uma das principais estruturas do programa nuclear iraniano. A parte subterrânea da instalação, onde fica a maior parte das instalações de enriquecimento, é enterrada para protegê-la de ataques aéreos.

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Na segunda-feira, o representante permanente do Irã junto à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Reza Najafi, já havia declarado que a usina de Natanz havia sido atingida.

“Mais uma vez, eles atacaram as instalações nucleares pacíficas e protegidas do Irã”, disse Najafi a repórteres em uma reunião do Conselho de Governadores da AIEA, composto por 35 membros. Perguntado pela agência de notícias Reuters quais instalações foram atingidas, ele respondeu: “Natanz”.

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A AIEA disse anteriormente que o Irã usava centrífugas avançadas em Natanz para enriquecer o urânio em até 60%. O patamar está tecnicamente próximo dos 90% de enriquecimento considerados necessários para a produção de uma arma nuclear.

A tensão em torno do programa nuclear iraniano se intensificou após a erosão do acordo firmado em 2015, conhecido como Plano de Ação Conjunto Global, que impunha limites rígidos ao enriquecimento de urânio em troca do alívio de sanções. Desde a saída unilateral dos Estados Unidos do pacto, durante o primeiro mandato de Donald Trump, o Irã ampliou progressivamente seus níveis de enriquecimento e reduziu a cooperação com inspetores internacionais.

As forças israelenses já haviam atingido a usina em junho do ano passado, durante uma guerra aérea de 12 dias, quando americanos se aliaram a Israel contra a nação persa. Segundo estimativas anteriores da agência, antes dos bombardeios realizados em junho por Estados Unidos e Israel, Teerã possuía cerca de 440 quilos de urânio enriquecido a 60% no local à época.

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No sábado 28, Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã, matando dezenas de comandantes militares, políticos e o líder supremo, Khamenei. Em resposta, Teerã iniciou uma campanha de bombardeios sem precedentes a bases americanas no Oriente Médio.

O presidente Donald Trump acusou o Irã de “travar uma guerra contra a civilização” e pediu a rendição da Guarda Revolucionária Islâmica no domingo.

Pelo menos 555 pessoas foram mortas no Irã até o momento pela campanha conjunta EUA-Israel, informou a Sociedade do Crescente Vermelho Iraniano. Nove israelenses morreram devido à retaliação, bem como cinco pessoas em países do Golfo visados por abrigarem bases militares americanas: uma no Kuwait, três nos Emirados Árabes Unidos e uma no Bahrein.

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