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Biden reconhece massacre contra armênios como genocídio

Ação amplamente simbólica representa grande ruptura em relação ao tom moderado empregado anteriormente e pode prejudicar ainda mais laços com Turquia

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 abr 2021, 15h35 | Atualizado em 24 abr 2021, 15h38
Biden reconhece massacre contra armênios como genocídio Priorizar nos meus resultados Google

O presidente americano, Joe Biden, anunciou neste sábado, 24, que os Estados Unidos passarão a reconhecer como genocídio a morte ou a deportação de até 1,5 milhão de armênios que eram cidadãos do Império Otomano durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). A ação, embora amplamente simbólica, representa uma grande ruptura em relação ao tom moderado empregado anteriormente por Washington e pode prejudicar ainda mais laços do país com a Turquia, que já se manifestou contra a decisão.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, reagiu imediatamente denunciando “a politização por terceiros” do debate. O chanceler turco, Mevlut Cavusoglu, por sua vez, afirmou que o país “rejeita inteiramente” a decisão americana e que a Turquia “não tem nenhuma lição a receber de ninguém sobre sua história”.

A mensagem de Biden, no entanto, foi recebida com “grande entusiasmo” pelo povo da Armênia, disse o primeiro-ministro Nikol Pashinyan, em carta enviada ao presidente americano. Em suas redes sociais, o premiê também agradeceu ao governo americano “pelo grande passo em direção à justiça e o apoio inestimável aos descendentes das vítimas do genocídio armênio”. 

Embora presidentes anteriores tenham feito reflexões sobre o momento histórico, todos evitaram usar o termo genocídio — uma política sistemática e deliberada de extermínio de um povo — para evitar problemas nas relações com a Turquia, aliada na Otan e ator importante em conflitos no Oriente Médio. Em dezembro de 2019, o Congresso americano chegou a reconhecer o genocídio armênio em uma votação simbólica, mas o então presidente Donald Trump se recusou a usar a palavra, citando apenas “uma das piores atrocidades em massa do século 20”.

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“O povo americano honra estes armênios que morreram no genocídio que começou 106 atrás nesta data”, afirmou Biden em comunicado neste sábado. “Nós afirmamos a história. Não fazermos isso para colocar culpa, mas para garantir que o que aconteceu nunca se repita”.

Com o reconhecimento, Biden cumpre uma promessa de campanha feita há um ano e coloca os EUA junto a países como Alemanha, França e Rússia, que já reconheciam o episódio como genocídio. Em 2015, o Senado brasileiro passou uma moção de solidariedade ao povo armênio, em lembrança ao centenário do massacre. Nunca houve, no entanto, uma iniciativa do Executivo para o reconhecimento.

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O democrata argumentou à época, no entanto, que não ser vocal contra atrocidades abriria caminho para novos massacres. Estima-se que 2 milhões de armênios foram deportados e 1,5 milhão foram mortos nos eventos conhecidos como Metz Yeghern.

A Turquia, resultante do desmantelamento do Império Otomano em 1920, reconhece massacres, mas rejeita o termo genocídio, evocando uma guerra civil na Anatolia, associada a uma fome, na qual entre 300.000 e 500.000 armênios e turcos morreram.

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A violência começou durante o início da dissolução do Império Otomano. Aliados à Alemanha durante a Primeira Guerra, os otomanos queriam impedir que os armênios se aliassem à Rússia, então ordenaram deportações em massa.

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