Bloqueio dos EUA tem impacto limitado em Ormuz, mas mantém mercado em alerta
Medida foi anunciada pelo presidente Donald Trump no domingo, após fracasso de negociações com Teerã no final de semana
O primeiro dia completo do bloqueio imposto pelos Estados Unidos a navios que fazem escalas em portos iranianos provocou impacto limitado no tráfego pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o comércio de petróleo. Dados de navegação indicam que ao menos oito embarcações cruzaram a passagem nesta terça-feira, 14, entre elas três petroleiros ligados ao Irã.
A medida foi anunciada pelo presidente Donald Trump no domingo, após o fracasso de negociações com Teerã realizadas em Islamabad no final de semana. Apesar da nova restrição, o fluxo de navios já vinha reduzido desde o início da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, iniciada no fim de fevereiro, e segue muito abaixo dos níveis habituais, que superavam 130 travessias diárias.
Segundo o Comando Central dos EUA, nenhuma embarcação conseguiu ultrapassar o bloqueio nas primeiras 24 horas. Ao menos seis navios foram obrigados a retornar a portos iranianos após abordagem das forças americanas. Ainda assim, algumas embarcações seguiram viagem, especialmente aquelas que não tinham como destino o território iraniano.
É o caso de navios-tanque que operam com cargas de origem iraniana destinadas a outros mercados do Oriente Médio e da Ásia — um fluxo indireto que permanece ativo, ainda que sob maior escrutínio. Um exemplo é o petroleiro Peace Gulf, com bandeira do Panamá, que segue para o porto de Hamriyah, nos Emirados Árabes Unidos, transportando nafta iraniana, matéria-prima petroquímica amplamente exportada para a Ásia.
Outras cinco embarcações navegaram pelo estreito desde o início do bloqueio. Entre elas, estavam dois outros navios-tanque de produtos químicos e gás, dois navios graneleiros e o navio cargueiro Ocean Energy, que atracou no porto iraniano de Bandar Abbas.
A ofensiva americana ampliou a incerteza no setor de transporte marítimo e energia. Empresas de navegação e seguradoras seguem em alerta, com custos elevados para cobertura de risco de guerra, que continuam sendo revisados a cada 48 horas e somam centenas de milhares de dólares semanais por embarcação.
“O retorno à ‘normalidade’ no Oriente Médio parece agora mais distante do que há uma semana, especialmente considerando que a Marinha dos EUA iniciou um bloqueio”, afirmou a corretora naval BRS em um relatório.
O Ministério das Relações Exteriores da China classificou o bloqueio como “perigoso e irresponsável”, afirmando que a medida pode agravar ainda mais as tensões na região.
Apesar de o fluxo não ter sido interrompido de forma total, a expectativa no setor é de novas restrições.





