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Carta ao Leitor: O ato de testemunhar

Reportagem especial de VEJA mostra como o grito de socorro dos venezuelanos ganhou um tom mais dramático e pungente

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 jul 2026, 06h00 | Atualizado em 3 jul 2026, 14h46
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Cobrir uma tragédia humanitária representa um dos maiores desafios jornalísticos. Nesses momentos, é preciso se aprofundar nas informações técnicas que explicam um determinado desastre, sem deixar de ter um olhar sensível e ético sobre o drama das comunidades atingidas. Na matéria especial desta edição sobre as consequências terríveis do recente terremoto na Venezuela, a equipe de VEJA mostra mais uma vez como é possível fazer um trabalho equilibrado em condições bastante adversas. Sob a coordenação da editora-executiva Monica Weinberg, o correspondente Santiago Martínez passou os últimos dias percorrendo o país para realizar o que é a essência da missão de um repórter: o ato de testemunhar. Ele esteve em hospitais de Caracas que lutam para atender os pacientes sem médicos e sem insumos suficientes para dar conta das vítimas, que só fazem multiplicar. Acompanhou também o drama em La Guaira, o epicentro da tragédia incomensurável, de gente que vai de necrotério em necrotério em busca de parentes desaparecidos.

Os números dão a dimensão da catástrofe. Foi um dos dez terremotos mais letais dos últimos 100 anos. O saldo de mortos está acima de 2 000 pessoas e, infelizmente, a tendência é que a quantidade aumente, pois há cerca de 50 000 desaparecidos. Muitos dos sobreviventes perderam tudo o que tinham. Segundo estimativas, 7 milhões de venezuelanos ficaram desabrigados, o equivalente a 25% da população do país. Mais de 120 horas após os sismos, porém, ainda havia quem se agarrasse à esperança de encontrar vivos pais, filhos e vizinhos. “Estão à espera de um milagre. Diante das falhas e do atraso nas operações de resgate, a sensação é que só resta rezar”, relata Martínez.

Capa da revista Veja com o rosto de Hugo Chávez em destaque, metade na sombra e metade iluminado. Títulos: Chávez: A Herança Sombria, Quase 40: O 39º ministério de Dilma confirma: quantidade não tem a ver com eficiência e A Filha do Bispo: A primogênita de Edir Macedo faz sucesso dando conselhos amorosos
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O terremoto piorou ainda mais a situação de um país que estava à beira do precipício. Nas últimas décadas, a receita da maior riqueza natural do país, o petróleo, acabou sendo desperdiçada ao sabor do jorro das inúmeras medidas populistas levadas à frente pela Revolução Bolivariana, iniciada com a posse de Hugo Chávez, em 1999, e mantidas pelo sucessor dele, Nicolás Maduro. O regime provocou inúmeros desastres econômicos, como inflação na casa dos três dígitos e um índice de pobreza no país superior a 90%. No campo político, a nação se transformou em uma ditadura, com a prisão de dissidentes e eleições fraudadas. Milhões fugiram de lá, em busca de uma vida melhor. A recente intervenção americana, que resultou na prisão de Maduro, está longe ainda de gerar alguma estabilidade e melhores perspectivas. Devido a essa conjunção de fatores, o grito de socorro agora dos venezuelanos ganhou um tom mais dramático e pungente.

Publicado em VEJA de 3 de julho de 2026, edição nº 3002

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