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Chefe da ONU cobra ‘coordenação global’ diante de riscos da IA

António Guterres alertou para perigos de competição desenfreada pelo desenvolvimento de sistemas cada vez mais avançados

Por Sophia Paiva 16 set 2026, 15h44
Chefe da ONU cobra ‘coordenação global’ diante de riscos da IA Priorize VEJA no Google

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, defendeu nesta quarta-feira, 16, uma “coordenação global” para enfrentar os riscos da inteligência artificial (IA) e alertou para os perigos de uma competição desenfreada pelo desenvolvimento de sistemas cada vez mais avançados.

“A ação em nível nacional é essencial. Mas uma cooperação global também é necessária”, disse Guterres em uma coletiva de imprensa, acrescentando que “a IA não respeita fronteiras e tampouco seus riscos”.

O chefe da ONU afirmou que os governos têm a responsabilidade de proteger suas populações das ameaças relacionadas à inteligência artificial. O assunto, segundo ele, estará entre os temas discutidos na Assembleia Geral da ONU, que será realizada na próxima semana, em Nova York.

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+ O aviso sobre a ameaça da IA ao futuro da humanidade feito por vencedora do Nobel

Guterres também reconheceu os possíveis benefícios da tecnologia, citando avanços no desenvolvimento sustentável, na educação, na saúde e no enfrentamento das mudanças climáticas. Ele ressaltou, no entanto, que os próprios responsáveis pelo desenvolvimento dos sistemas mais avançados têm manifestado preocupação com a velocidade de sua evolução.

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“O mundo não pode se dar ao luxo de uma corrida rumo ao abismo em matéria de segurança da IA”, disse.

A declaração ocorre em meio à intensificação dos apelos por mecanismos internacionais de supervisão da inteligência artificial, após incidentes e advertências de executivos do setor. Na terça-feira, 15, OpenAI, Anthropic e Google DeepMind anunciaram que trabalham na criação de um órgão para supervisionar os riscos associados à tecnologia.

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Nesta quarta-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que reuniria grandes atores do setor para apoiar os esforços específicos para desacelerar o desenvolvimento dos modelos de IA mais potentes.

Denúncia de funcionário

Na última terça-feira, 8, Jacob Coxon, ex-funcionário da empresa de inteligência artificial Anthropic, responsável pelo Claude, publicou um texto em seu X (antigo Twitter) em que acusa a empresa de acreditar que a IA pode “matar a todos até o fim da década” e ignorar riscos iminentes no desenvolvimento de suas inteligências “super poderosas”.

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Jacob Coxon é um ex-funcionário da Anthropic e da OpenAI, que trabalhou na área de pesquisa em tecnologia. Segundo seus próprios posts nas redes sociais, ele se demitiu na última terça-feira de seu cargo na Anthropic por discordar do caminho escolhido pela empresa para o desenvolvimento de suas inteligências artificiais. Em sua sequência de publicações, ele acusa as duas empresas de não serem responsáveis, e de estarem em uma “corrida em linha reta até uma super inteligência artificial que pode melhorar a si mesma, e apostar com nossas vidas”. 

Após a repercussão das postagens, alguns outros funcionários da Anthropic reagiram aos comentários de Coxon, confirmando suas acusações.

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“Jacob está correto — nós realmente e sinceramente acreditamos que a IA pode matar todos os humanos! Eu pessoalmente acredito que [as chances] são mais de 10% durante a próxima década”, disse Evan Hubinger, diretor de alinhamento científico na criadora do Claude. “Eu acredito que a Anthropic está fazendo o melhor que pode, mas nós não temos um plano para alinhar a superinteligência e claramente não estamos no caminho para isso”, completou.

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