Chefe de fronteira dos EUA que usou casaco comparado a uniforme nazista é afastado
Gregory Bovino retornará ao posto de controle de fronteira em El Centro, na Califórnia, onde espera-se que se aposente em breve
Gregory Bovino, chefe da Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos, foi afastado das operações em Minneapolis, palco de fervorosos protestos anti-ICE, relataram o jornal The New York Times, a revista The Atlantic e a emissora CBS News na segunda-feira 26. A saída da cidade ocorre após Bovino usar um casaco comparado a uniformes nazistas. Ele retornará ao posto de controle de fronteira em El Centro, na Califórnia, onde espera-se que se aposente em breve. A informação ainda não foi confirmada pela Casa Branca.
Em meados de janeiro, Bovino foi duramente criticado devido à vestimenta — um sobretudo verde-oliva de lã, com abotoamento duplo, dragonas e botões de latão — pela imprensa alemã. Na época, Arno Frank, colunista da revista Der Spiegel, afirmou que o chefe de patrulha estava “recorrendo a modelos testados e aprovados”, enquanto o resto da equipe parecia usar “qualquer coisa que tivesse à mão.
Ele disse que Bovino “se destaca dessa turba de valentões, assim como um elegante oficial da SS se destaca da tumultuosa SA”, sigla da tropa de choque nazista Sturmabteilung acrescentando: “O corte de cabelo undercut estiloso também está perfeito; tudo o que falta para o cosplay perfeito é um monóculo”. Outro veículo alemão, o Süddeutsche Zeitung, ponderou que esse estilo de casaco também foi utilizado por outros países, como tropas britânicas na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), mas advertiu sobre a estética escolhida por Bovino.
“Outros países também tinham esses casacos, mas o traje de Bovino completa o visual nazista: um corte de cabelo bem curto, como se ele tivesse levado uma foto de (Ernst Röhm, líder assassinado da SA) ao barbeiro”, afirmou.
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Aumento da violência
O portal de notícias americano Politico, por sua vez, apontou que “assim como as camisas de campo, os gabardines e as botas de combate, o sobretudo pertence a um vocabulário militar compartilhado que antecede o fascismo e tem sido usado por forças militares em todo o mundo”. O veículo também alertou que os uniformes “revelam o que uma instituição acredita ser; moldam a forma como o público vê os militares; e afetam a forma como os militares se veem”.
“Com o tempo, isso gera um ciclo vicioso: o traje militarizado fomenta uma postura agressiva; a postura agressiva alimenta o medo público; e esse medo é então usado como justificativa para uma militarização ainda maior”, acrescentou uma análise do Politico. “Quando uma agência interna se veste como se estivesse em guerra, corre o risco de agir como se estivesse em guerra, inclusive com o público.”
Ao que indica o cenário, Bovino foi substituído por Tom Homan, conhecido como “czar da fronteira”. Ele assume a supervisão das operações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) no estado de Minnesota, em meio ao aumento da pressão sobre o governo Trump pela morte de americanos por agentes do ICE — a poetisa Renee Nicole Good, 37, baleada na cabeça durante uma blitz no início do mês em Minneapolis; e o enfermeiro Alex Pretti, 37, baleado dez vezes à queima-roupa também em uma abordagem na cidade. Bovino havia sido um dos primeiros a culpabilizar Pretti, alegando que a vítima queria “massacrar os policiais”.





