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Com bloqueio da Hungria, cúpula da UE termina sem acordo para dar empréstimo à Ucrânia

Premiê húngaro Viktor Orbán exige que Kiev repare oleoduto para obter petróleo russo, enquanto pinta Zelensky como vilão em sua campanha eleitoral

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 19 mar 2026, 15h50

Os líderes da União Europeia não conseguiram convencer o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban, a levantar seu bloqueio a um empréstimo de 90 bilhões de euros (cerca de R$ 544 bilhões) à Ucrânia, em uma cúpula dos países europeus realizada nesta quinta-feira, 19.

Na reunião em Bruxelas, em que cada dirigente falou de responsabilidade para com Kiev, o húngaro, aliado mais próximo de Moscou no bloco, se manteve firme em sua posição e obrigou os parceiros europeus a deixarem o assunto para um próximo encontro.

“A posição da Hungria é muito simples: ajudaremos a Ucrânia quando tivermos nosso petróleo”, declarou Orbán nesta quinta, ainda antes do início da cúpula dos 27.

Budapeste condiciona a concessão deste empréstimo à retomada do fornecimento de petróleo russo por meio de um oleoduto que atravessa a Ucrânia e foi danificado pelos bombardeios russos. O primeiro-ministro húngaro acusou Kiev de demorar a colocar o Druzhba em funcionamento deliberadamente.

A Ucrânia, por sua vez, depende destes fundos para financiar sua guerra contra Rússia nos próximos dois anos.

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“É nosso dever fazer o empréstimo à Ucrânia”, afirmou o presidente francês, Emmanuel Macron, ao chegar em Bruxelas nesta quinta.

O chanceler alemão, Friedrich Merz, disse, por sua vez, que “o princípio orientador do trabalho na União Europeia é o princípio da lealdade e da confiabilidade. E parto do princípio de que todos os membros da União Europeia se aterão a ele”.

Ucrânia como vilão

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, também não conseguiu fazê-lo mudar de posição durante sua intervenção na videoconferência perante as lideranças da União Europeia. O resultado era até esperado: ele se tornou inimigo declarado de Orbán duas semanas antes da eleição húngara de 12 de abril.

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A campanha do primeiro-ministro húngaro caracterizou seu principal rival, Péter Magyar, como um fantoche de Kiev e de Bruxelas. Com seu partido, Fidesz, em desvantagem nas pesquisas, o líder nacionalista tenta aumentar as tensões entre a Hungria e a Ucrânia, alegando que Zelensky e seus aliados europeus estão conspirando para arrastar o seu país para uma guerra contra a Rússia.

Orbán vem pintando as eleições como uma escolha entre guerra e paz, retratando seu partido como a única opção segura em meio ao conflito na Ucrânia enquanto fala de Kiev como indigna de apoio. Seu governo já convocou o embaixador ucraniano devido ao que o primeiro-ministro classificou como “tentativas de interferência” na votação de 12 de abril, ao passo que tenta associar Magyar aos gastos europeus com a assistência militar ao país invadido pela Rússia.

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