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Em despedida, Obama pede para americanos se engajarem

O primeiro presidente negro da história do país pediu aos americanos que se unam para lutar contra os desafios que ameaçam a democracia

Por Da redação 11 jan 2017, 07h24 | Atualizado em 11 jan 2017, 18h14
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O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez um discurso de despedida na noite desta terça-feira, em Chicago, a poucos dias de deixar o cargo após oito anos de mandato. Durante quase uma hora de fala, Obama pediu aos americanos que se unam para lutar contra os desafios que ameaçam a democracia. Em um discurso emocionado transmitido para todo o país, ele alertou o povo americano que uma mudança nos rumos do país só ocorrem “quando as pessoas comuns se envolvem para exigi-la”. No próximo dia 20, Obama deixará a presidência dos Estados Unidos. O presidente eleito Donald Trump assumirá no seu lugar.

De acordo com o presidente, se não forem criadas oportunidades para todas as pessoas no país, a divisão e a insatisfação só vão ficar mais nítidas nos próximos anos, ameaçando a democracia.  Além disso, Obama apontou que a renda em 2016 nos EUA cresceu para todas as raças e faixas etárias, homens e mulheres. “Então, se vamos ser sérios sobre a questão racial, precisamos manter leis contra a discriminação – na contratação, na habitação, na educação e no sistema de justiça criminal.”

Obama também disse que seu país é atualmente “um lugar melhor e mais forte” do que quando ele chegou ao poder em 2009, e atribuiu esses avanços aos esforços do povo americano que confiou em sua mensagem de esperança e mudança há oito anos. “Vocês foram a mudança. Vocês responderam às esperanças do povo, e graças a vocês, em quase todas as medidas, os Estados Unidos são um lugar melhor e mais forte que quando começamos”, disse Obama, em seu último discurso como presidente, realizado diante de 20.000 pessoas em Chicago, cidade onde iniciou na política.

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Lamento e autoelogio — Em uma mea culpa, o presidente, que deixará o cargo no próximo dia 20, reconheceu que o progresso durante sua presidência “não foi uniforme”, e que “às vezes parece que damos um passo atrás por cada dois passos adiante”, mas que seu país sempre se caracterizou por “andar para frente”. Mas, voltando a exaltar seu legado, ele disse que, se há oito anos tivesse prometido que o país “deixaria para trás uma grande recessão”, abriria “um novo capítulo com o povo cubano, encerraria o programa nuclear do Irã”, conseguiria a legalidade do casamento homoafetivo e reformaria o sistema de saúde, “teriam me falado que estaria sonhando demais”.

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Racismo — O primeiro presidente negro dos EUA reconheceu que, apesar do caráter histórico que representou sua eleição, o racismo segue vivo no país e fica com “mais trabalho por fazer” para eliminar os preconceitos contra as minorias e imigrantes. “Depois da minha eleição, muito foi falado de um Estados Unidos pós-racial. Essa visão, embora bem intencionada, nunca foi realista. Porque o racismo continua sendo uma força potente e um fator de divisão em nossa sociedade”, admitiu Obama.

Faltando dez dias para que seu sucessor, Donald Trump, assuma o poder, Obama se comprometeu em garantir uma transferência de poder “pacífica”, para que o próximo governo “possa nos ajudar a enfrentar os muitos desafios que ainda teremos”. Apesar das diferenças entre suas ideias e as de Trump, Obama afirmou se sentir “ainda mais otimista sobre o país” que quando assumiu o poder, porque sabe que seu governo não apenas “ajudou muitos americanos, mas também inspirou” muitos outros, especialmente aos jovens.

“O futuro está em boas mãos”, disse Obama, ao classificar a nova geração como “altruísta, criativa e patriótica” e pediu para todos cidadãos serem “guardiões” da democracia, não somente quando houver eleições, mas “durante toda a vida”. Barack Obama terminou seu discurso com uma série de agradecimentos a sua família e sua equipe na Casa Branca, e prometeu seguir lutando por que acredita quando deixar o poder. “Yes, we can. Yes, we did” (“Sim, nós podemos. Sim, nós fizemos”), encerrou o presidente.

(Com agências EFE e Reuters)

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