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EUA pressionam e Israel estuda trégua no Líbano; Bibi diz ser ‘cedo demais’ para desfecho

Reunião acontece um dia após as primeiras conversas diretas entre Israel e Líbano em mais de três décadas

Por Sara Salbert Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 15 abr 2026, 16h43 | Atualizado em 15 abr 2026, 16h46

O gabinete de segurança de Israel se reunirá na noite desta quarta-feira, 15, para discutir um possível cessar-fogo no Líbano, informou uma autoridade do governo israelense ao Canal 12, principal emissora do país.

“Nossa avaliação é que, dentro de alguns dias, não teremos escolha a não ser um cessar-fogo completo no Líbano”, disse a fonte. A TV israelense, no entanto, ressaltou que alguns ministros “estão pressionando exatamente pelo oposto – para retomar os ataques em Beirute e além do rio Litani”.

Também nesta quarta, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou ser “muito cedo para dizer como essa questão vai terminar”. Segundo ele, o principal objetivo da negociação com o Líbano é garantir o “desmantelamento” do Hezbollah, milícia libanesa apoiada pelo Irã.

“Nas negociações com o Líbano há dois objetivos fundamentais: em primeiro lugar, o desmantelamento do Hezbollah; em segundo lugar, uma paz sustentável, alcançada por meio da força”, declarou o premiê, acrescentando que as Forças Armadas do país continuam atacando o grupo armado e estão prestes a “dominar” a cidade de Bint Jbeil, considerada o principal reduto dos combatentes. Ele disse ter instruído os militares a continuarem reforçando a zona de segurança no sul do Líbano.

Sobre o Irã, Netanyahu afirmou que os Estados Unidos mantêm Israel informado e que os dois países estão alinhados em seus objetivos: remover o urânio enriquecido do Irã, acabar com as capacidades de enriquecimento no país e reabrir o Estreito de Ormuz. Caso os combates sejam retomados, acrescentou Netanyahu, “estamos preparados para qualquer cenário”.

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Enquanto isso, o veículo pró-Hezbollah al-Mayadeen informou, citando uma autoridade iraniana, que um cessar-fogo de uma semana entrará em vigor no Líbano a partir desta noite. A informação não foi confirmada por Tel Aviv.

Conversas entre Líbano e Israel

A reunião do gabinete israelense acontece um dia após as primeiras conversas diretas entre Israel e Líbano em mais de três décadas, realizadas em Washington, nos Estados Unidos, com intermediação do governo de Donald Trump. Os dois países estiveram tecnicamente em guerra durante décadas.

“Essas negociações não aconteciam há mais de 40 anos. Estão acontecendo agora porque somos muito fortes, e os países estão vindo até nós – não apenas o Líbano”, disse Netanyahu.

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O governo dos Estados Unidos, que atuou como mediador do encontro, pressiona para conter o conflito entre as forças israelenses e o Hezbollah, milícia libanesa apoiada pelo Irã, por temer que isso possa prejudicar as negociações com o Irã.

Washington declarou que “a bola está com o Irã” no que diz respeito ao fim da guerra no Oriente Médio, após a Marinha americana bloquear a navegação dos portos iranianos no Estreito de Ormuz, que a Guarda Revolucionária Islâmica, exército ideológico do regime iraniano, já havia fechado.

O encontro em Washington — o primeiro diálogo direto de alto nível desde 1993 — contou com a mediação do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e a participação dos embaixadores de Israel e Líbano nos Estados Unidos.

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“Esta é uma oportunidade histórica”, disse Rubio ao receber os embaixadores.

No entanto, a oposição do Hezbollah às negociações deixa poucas perspectivas para alcançar um acordo e encerrar os combates.

“Não há nenhuma discussão sobre cessar-fogo com o Hezbollah”, disse o porta-voz do governo israelense, David Mercer, em uma coletiva de imprensa nesta quarta.

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O Líbano foi arrastado para a guerra — iniciada em 28 de fevereiro com ataques israelenses e americanos ao Irã — no dia 2 de março, quando o movimento xiita abriu uma frente de combate contra Israel em retaliação à morte do líder supremo Ali Khamenei, considerado o “papa” desta vertente islâmica.

Segundo as autoridades libanesas, os ataques israelenses mataram mais de 2.000 pessoas e deslocaram pelo menos um milhão.

Apesar das conversas com o Líbano, Israel continuou atacando supostos alvos do Hezbollah no país. Nesta quarta, o Exército israelense atacou o sul de Beirute e o grupo pró-iraniano disparou quase 30 foguetes contra o território israelense.

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