EUA X Irã: como sair de uma guerra?
Milhares de habitantes tomaram as ruas de Teerã convocados por uma campanha para que a população se inscreva em treinamento militar
Na recente história dos Estados Unidos, entrar em guerras soou quase sempre como uma imposição estratégica — mas abandoná-las, um drama. Foi assim com o conflito no Vietnã, entre 1955 e 1975. Foi assim com os ataques ao Afeganistão, depois dos atentados de 11 de setembro de 2001. Vive-se, agora, dificuldade para saída de uma encrenca equivalente. O presidente Donald Trump, que em fevereiro ordenou bombas contra o Irã dos aiatolás, tem problemas para pôr um ponto-final ao capítulo bélico. Na terça-feira 22, na tribuna da Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova York, Trump declarou, ao estilo Trump: “Será feito um acordo com o Irã que lhe permita reconstruir-se e criar um país muito maior do que jamais foi? Ou devo aniquilar a República Islâmica e fazê-lo rapidamente?”. Houve espanto, mas nos bastidores o tom era outro. Autoridades americanas e iranianas se reuniram com a mediação do Catar para reativar um canal diplomático que havia colapsado. No Irã, a temperatura é quente como a retórica trumpista. Na sexta-feira 18, milhares de habitantes tomaram as ruas de Teerã convocados por uma campanha para que a população se inscreva no treinamento militar de organizações ligadas à Guarda Revolucionária. O número de inscritos chegaria a 500 000, segundo a imprensa estatal, que provavelmente inflou a quantia para mostrar que o país não pretende arredar pé da briga. O recado é claro: ao contrário do que propagandeia Trump, a paz está longe.
Publicado em VEJA de 25 de setembro de 2026, edição nº 3014






