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Extrema-direita ganha eleições na Áustria

Eurocético e fundado por aliados nazistas, o Partido da Liberdade teve sua primeira vitória no país

Por Valéria França Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 29 set 2024, 17h46 | Atualizado em 29 set 2024, 17h56
Extrema-direita ganha eleições na Áustria Priorizar nos meus resultados Google

O crescente movimento de extrema-direita na Europa ganhou mais um ponto. A Áustria será comandada pela primeira vez pelo Partido da Liberdade (FPO), que apesar do nome é eurocético e a favor da Rússia. O resultado das eleições legislativas aponta uma grande mudança no país. Até agora o governo estava nas mãos da coligação entre o Partido Popular Austríaco (ÖVP) e Os Verdes, liderada pelo chanceler austríaco Karl Nehammer. A nova composição é uma consequência da insatisfação dos austríacos com a crise econômica do país, que levou a formação de partidos menores.

À frente do partido está Herbert Kickl, 55 anos, que se posiciona contra o apoio da Áustria à Ucrânia assim como às sanções econômicas aplicadas à Rússia. Para ele, quem está perdendo mais nessa guerra é a Áustria do que Moscou. Desde o início das projeções eleitorais, as pesquisas apontavam que o FPO estava com uma pequena vantagem em relação aos demais partidos da situação, o que se confirmou neste domingo. Kickl é figura polêmica, que pode dificultar a coalizão com outros partidos. Até por isso, já anunciou estar disposto a negociar com todos.

O FPO foi fundado em 1944, por líderes destacados do regime de Adolf Hitler no território austríaco.  O primeiro líder do partido foi Anton Reinthaller, ex-ministro da Agricultura na Áustria, controlado por Berlim. Ele foi condenado por alta traição após a Segunda Guerra Mundial. Ficou preso três anos. Kickl quer ser o “chanceler do povo” (em alemão Volkskanzler), como se auto-designou durante a toda a campanha, que ele ajudou a elaborar pessoalmente. Na verdade, ele se apropriou da mesma denominação que Hitler se atribuiu na propaganda do regime nazi, no início dos anos 1930, antes de virar o Führer. Kickl se defende da comparação, afirmando que os fatos não estão relacionados, como se fosse coincidência histórica.  


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