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Fechamento de Ormuz ameaça abastecimento global de combustível, reforçam FMI e Banco Mundial

Chefes dos órgãos alertam para risco de escassez durante o verão no Hemisfério Norte se bloqueio persistir

Por Júlia Sofia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 29 Maio 2026, 18h59 | Atualizado em 29 Maio 2026, 19h23
Fechamento de Ormuz ameaça abastecimento global de combustível, reforçam FMI e Banco Mundial Priorizar nos meus resultados Google

Os chefes do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Mundial e da Agência Internacional de Energia (IEA) alertaram nesta sexta-feira, 29, que a continuidade das restrições ao tráfego de navios no Estreito de Ormuz pode causar escassez de combustíveis nos próximos meses, justamente durante o pico de consumo de energia no Hemisfério Norte, por conta do verão.

Em comunicado conjunto, as instituições afirmaram que os estoques globais de petróleo estão sendo consumidos em ritmo recorde após a interrupção de parte do fluxo da principal passagem marítima para o comércio mundial de energia, afetada pela guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.

“Caso os fluxos de transporte marítimo não retornem à normalidade, a contínua e rápida depleção dos estoques globais de petróleo, antes do pico da demanda de petróleo no verão do Hemisfério Norte, representará riscos crescentes para a segurança do abastecimento de combustível, as condições de mercado e a resiliência econômica em geral”, alerta o texto.

O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta. Cerca de um quinto do fornecimento mundial de energia passa pelo corredor, localizado entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã. Desde a escalada do conflito envolvendo Washington, Tel Aviv e Teerã, a região tem enfrentado interrupções que afetam o transporte de petróleo e gás.

Em abril, FMI, Banco Mundial e IEA anunciaram a criação de um grupo de coordenação para responder aos impactos econômicos da crise, com atenção especial aos países mais vulneráveis. No novo comunicado, as organizações destacaram que a disparada nos preços da energia e dos fertilizantes já produz efeitos desproporcionais sobre economias de baixa renda.

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Segundo as instituições, a alta dos fertilizantes é especialmente preocupante porque coincide com o início da temporada de plantio em diversos países. O encarecimento dos insumos agrícolas pode afetar a produção de alimentos e ampliar os riscos à segurança alimentar, sobretudo em nações dependentes de importações.

Os efeitos econômicos da guerra já levaram o FMI a revisar para baixo suas projeções de crescimento global. Durante as reuniões de primavera da instituição, a diretora-gerente do fundo, Kristalina Georgieva, afirmou que os países mais vulneráveis poderão precisar de entre 20 bilhões e 50 bilhões de dólares em assistência financeira para enfrentar as consequências do conflito.

Nesta semana, o FMI informou que Bangladesh solicitou um pacote de ajuda financeira e iniciou negociações para a criação de um programa de apoio econômico.

Além do impacto sobre o mercado de energia, a guerra tem provocado efeitos em cadeias globais de suprimentos, especialmente em países altamente dependentes das importações de petróleo e gás provenientes do Golfo Pérsico. Regiões do sul e do sudeste asiático estão entre as mais expostas às turbulências causadas pelo conflito, enquanto a redução na oferta de fertilizantes aumenta as preocupações com o custo dos alimentos e a estabilidade econômica nos próximos meses.

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