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Fechamento prolongado do Estreito de Ormuz pode gerar crise alimentar global, diz ONU

Fechamento da rota pressiona mercado de insumos agrícolas e impede a circulação segura de navios

Por Júlia Sofia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 13 abr 2026, 16h22
  • O prolongamento das restrições ao tráfego no Estreito de Ormuz pode desencadear uma crise alimentar global, alertou nesta segunda-feira, 13, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

    Segundo o economista-chefe da entidade, Máximo Torero, uma parcela significativa do fornecimento mundial de insumos essenciais para a agricultura — como petróleo, gás natural, ureia e fertilizantes — está sendo afetada pela dificuldade de navegação na região, em meio à escalada do conflito no Oriente Médio.

    “É essencial que o cessar-fogo continue e que os navios possam começar a se movimentar… para evitar o problema da inflação alimentar”, afirmou Torero. De acordo com ele, a interrupção prolongada pode comprometer o calendário agrícola global, reduzir colheitas e pressionar os preços dos alimentos, em um cenário que pode rivalizar com os impactos da pandemia de Covid-19.

    Segundo Torero, se os agricultores não tiverem todos os recursos necessários para o plantio, isso poderá causar menores colheitas, o que significa menos alimentos no futuro. Além disso, se os países começarem a restringir as exportações de energia ou fertilizantes, isso agravará o problema.

    David Laborde, diretor da Divisão de Economia e Política Agroalimentar da FAO, acrescentou que qualquer restrição ao abastecimento global de alimentos terá um impacto desproporcional em países mais pobres.

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    Bloqueio dos EUA

    O alerta ocorre no mesmo dia em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o início de um bloqueio militar ao tráfego marítimo ligado ao Irã. A operação entrou em vigor às 10h (horário de Washington), após o fracasso das negociações de paz no fim de semana.

    Trump afirmou que embarcações iranianas que se aproximarem da área serão alvo das forças americanas. Segundo ele, lanchas de ataque rápido “serão destruídas” caso tentem romper o bloqueio. Apesar da escalada, o presidente disse que Teerã “quer muito fazer um acordo” e revelou que os EUA receberam um contato do país nas últimas horas.

    O principal impasse nas negociações, segundo Trump, segue sendo o programa nuclear iraniano. Ele também afirmou que pretende recuperar estoques de urânio enriquecido em posse do país.

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    Nos últimos meses, o Irã vinha permitindo a passagem de petroleiros pelo estreito mediante cobrança de pedágios que, segundo relatos, chegariam a até 2 milhões de dólares por embarcação.

    A Guarda Revolucionária reagiu ao bloqueio afirmando que qualquer presença militar hostil na região será tratada “com rigor”.

    O agravamento da crise já impacta os mercados globais. O preço do petróleo voltou a superar os 100 dólares por barril.

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