Franklin Martins: Panamá pede desculpas após deter e deportar ex-ministro de Lula
Antigo titular da Secom foi detido durante escala e teve que responder perguntas sobre sua atuação na ditadura militar
O governo do Panamá deportou o ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social Franklin Martins na última sexta-feira 6. Três dias após o incidente, a chancelaria panamenha enviou um pedido formal de desculpas ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo episódio.
Detido durante uma escala na Cidade do Panamá, Martins foi submetido a questionamentos sobre sua atuação durante a ditadura militar antes de ser enviado ao Brasil.
Jornalista de formação, ele estava viajando para participar de um seminário na Guatemala quando o episódio ocorreu. Em relato enviado ao Ministério das Relações Exteriores, ele contou ter sido abordado por policiais à paisana no desembarque do aeroporto e levado até uma sala de interrogatório. No local, teve que responder perguntas sobre sua prisão na década de 1960.
“Preferi não entrar em detalhes. Respondi apenas que havia sido preso por motivos políticos. O Brasil vivia sob uma ditadura militar e eu havia lutado durante 21 anos contra ela – e isso não era um crime, mas um dever para os democratas”, descreveu o ex-ministro.
Martins foi preso em 1968 durante um congresso da União Nacional dos Estudantes em Ibiúna, no interior de São Paulo. Posteriormente, o jornalista integrou um grupo guerrilheiro responsável pelo sequestro do então embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Charles Burke Elbrick. Devido ao episódio, ele é proibido de entrar em território americano.
O antigo titular da Secom questionou os agentes sobre qual seria o motivo da prisão. Como resposta, os policiais citaram a Lei de Migração de 2008, que proíbe estrangeiros que cometeram crimes graves de entrarem ou fazerem conexão no Panamá. Embora tenha reiterado que não cometeu crimes e foi preso no âmbito de uma ditadura, Martins foi deportado horas depois.
Após ser informado do episódio, o Ministério das Relações Exteriores buscou esclarecer junto ao governo panamenho o que teria motivado tal medida. Em resposta, o chanceler Javier Martínez-Acha enviou uma carta se desculpando pelo equívoco e disse que Martins é muito bem-vindo no país.
“Desejamos transmitir que o senhor Franklin de Souza Martins será sempre bem-vindo ao Panamá e teremos o prazer de recebê-lo em nosso país em uma data que ele julgar conveniente, em um espírito de respeito, amizade e consideração por sua carreira pessoal e profissional”, escreveu Martínez-Acha.






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