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Guerra na Ucrânia já é maior que uma das guerras mundiais

Conflito iniciado pela Rússia em 2022 chega a 1.569 dias e ultrapassa o tempo da Primeira Guerra

Por Júlia Sofia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 11 jun 2026, 15h24
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A guerra na Ucrânia ultrapassou nesta quinta-feira, 11, a duração da Primeira Guerra Mundial. Com 1.569 dias de combates desde a invasão russa de fevereiro de 2022, o conflito permanece sem solução negociada e sem sinais de um desfecho próximo. 

O marco reacendeu comparações entre a ofensiva lançada por Vladimir Putin e o conflito travado entre 1914 e 1918. A Primeira Guerra durou pouco mais de quatro anos e deixou cerca de 10 milhões de militares mortos. A ofensiva ficou marcada pelas trincheiras, pelos ataques de desgaste e pelo uso em larga escala de tecnologias que transformaram o campo de batalha, como tanques, aviões e metralhadoras — características que hoje levam especialistas a traçar paralelos com a guerra na Ucrânia.

Quando ordenou a invasão em larga escala à Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022, Putin apostava em uma campanha rápida. A ofensiva sobre Kiev deveria derrubar o governo ucraniano em poucos dias. Mais de quatro anos depois, porém, o cenário é outro.

Após o fracasso da tentativa de tomar a capital ucraniana, a guerra deu lugar a uma disputa de desgaste, marcada por avanços lentos, uso intensivo de artilharia e extensas linhas de fortificação. “O conflito na Ucrânia é, sob muitos aspectos, o que mais se aproxima da Primeira Guerra Mundial”, afirmou ao jornal The New York Times o historiador militar francês Michel Goya, ex-coronel do Exército da França.

Os paralelos começam na própria abertura das hostilidades. Em 1914, a Alemanha lançou uma ofensiva relâmpago rumo a Paris para tentar encerrar rapidamente a guerra. Em 2022, tropas russas avançaram em direção a Kiev com objetivo semelhante. Em ambos os casos, os invasores chegaram perto de seus alvos, mas acabaram repelidos.

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Os dois conflitos também mergulharam em guerras de atrito. Na Ucrânia, especialmente a partir do fim de 2022, extensas redes de trincheiras passaram a cortar o front. Soldados russos e ucranianos ficaram separados por poucos centenas de metros, protegidos por obstáculos, bunkers e posições fortificadas, enquanto ataques de infantaria eram precedidos por intensos bombardeios de artilharia.

A comparação, no entanto, encontra limites importantes. A Primeira Guerra teve dimensão global, envolveu dezenas de países e mobilizou milhões de soldados em diferentes continentes. A própria Ucrânia sequer existia como Estado independente naquele período. Ainda assim, historiadores argumentam que o impacto geopolítico do atual conflito pode ser igualmente profundo.

Se as trincheiras remetem ao passado, os drones são o principal elemento de transformação do atual campo de batalha. As aeronaves não tripuladas passaram a monitorar continuamente as posições inimigas e a realizar ataques com precisão crescente, alterando a forma como os exércitos se movimentam e se protegem na linha de frente.

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Inicialmente, a artilharia era responsável pela maior parte das baixas. Com o avanço da tecnologia, aeronaves não tripuladas passaram a monitorar continuamente as posições inimigas e realizar ataques com precisão.

Estimativas sobre o número de mortos variam, mas analistas apontam que as perdas dos dois lados já chegam à casa das centenas de milhares. Ainda que muito inferiores aos cerca de 9 milhões a 11 milhões de militares mortos na Primeira Guerra Mundial, as baixas atuais são consideradas extremamente elevadas para um conflito concentrado em um único teatro de operações.

Para especialistas, o desfecho da guerra dependerá menos de uma virada tecnológica e mais da capacidade de resistência de cada país, em termos de efetivo militar, fôlego econômico e sustentação política.

Sem avanços concretos nas negociações entre Moscou e Kiev, a guerra iniciada pelo Kremlin segue sem prazo para terminar e se consolida como um dos conflitos mais longos e devastadores da história recente da Europa.

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