Índia convoca diplomata e acirra tensão com Irã após morte de marinheiro em Ormuz
Do total de 46 tripulantes em embarcações atacadas por Teerã, 30 eram indianos, segundo chancelaria
O Ministério das Relações Exteriores indiano convocou o vice-chefe da missão do Irã na Índia, Mohammad Javad Hoseini, nesta terça-feira, 14, acirrando a tensão diplomática entre os dois países. A medida foi classificada pela chancelaria como um “protesto veemente” contra um ataque com míssil balístico iraniano que matou um marinheiro indiano no Estreito de Ormuz.
“Os ataques contra a navegação comercial e a infraestrutura civil na região devem cessar para que a navegação e o comércio livres e desimpedidos através das vias navegáveis internacionais da região — em conformidade com o direito internacional — possam ser restabelecidos o mais breve possível”, afirmou a pasta.
+ Irã bombardeia petroleiros em Ormuz; 3ª dia seguido de ataques dos EUA deixa mortos
Na madrugada desta quarta, os Estados Unidos lançaram uma série de ataques contra o Irã, em uma nova escalada após a recente retomada das hostilidades. Em resposta, a Guarda Revolucionária Islâmica disparou contra ao menos dois petroleiros, de acordo com a agência de monitoramento marítimo UKMTO — que os Emirados Árabes Unidos afirmaram ser seus.
Do total de 46 tripulantes nas duas embarcações, 30 eram indianos, e a vítima fatal tinha cidadania indiana.
Terceira noite de ataques
Nesta madrugada, o comando militar americano para o Oriente Médio (Centcom) anunciou em um comunicado o início de “uma terceira noite consecutiva de ataques contra o Irã”, pouco depois da meia-noite, hora de Teerã.
“Vamos atingi-los com força esta noite, e vamos atingi-los com força amanhã”, havia declarado antes o presidente Donald Trump ao radialista Hugh Hewitt.
A mídia estatal iraniana informou sobre mortos nos últimos ataques americanos, que, segundo disseram, tiveram como alvo amplas zonas do sul e do oeste do país. Ao menos 25 pessoas perderan a vida no Irã desde que as hostilidades foram retomadas na quarta-feira passada.
Em meio ao fogo cruzado, porém, o ocupante do Salão Oval afirmou na segunda-feira à noite à imprensa na Casa Branca que um acordo com o Irã ainda era “possível”.
Antes disso, havia anunciado em sua plataforma, a Truth Social, que os Estados Unidos tomariam o controle de Ormuz, rota estratégica para o comércio mundial de petróleo e gás natural, e que o bloqueio dos portos iranianos seria restabelecido. Essa medida de pressão entrará em vigor nesta terça-feira às 17h no horário de Brasília, segundo o Exército americano.
Assim como Teerã, o presidente dos Estados Unidos disse que queria cobrar “uma remuneração equivalente a 20% do valor das cargas” em Ormuz, apesar de a via estar sujeita ao direito internacional, o que supostamente deve garantir a liberdade de navegação.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, ironizou sobre a ameaça de pedágio de Trump. “O Irã sempre foi o guardião do estreito e continuará sendo para sempre”, escreveu ele no X (ex-Twitter). “O presidente dos Estados Unidos está absolutamente certo. Quem garantir a passagem segura deve receber uma compensação”, disse, acrescentando: “Os 20% são, é claro, já são demais. Seremos justos”.
Diante dessas trocas de ataques e ameaças, os preços do petróleo dispararam na segunda-feira: o barril de Brent, referência internacional, subiu 9,59% e foi cotado a US$ 83,30.
Cessar-fogo quebrado
Após quase 40 dias de bombardeios no conflito desencadeado pelos ataques israelenses e americanos de 28 de fevereiro, um cessar-fogo entrou em vigor no início de abril e foi ratificado em 17 de junho por meio de um protocolo de acordo.
Mas, desde as novas agressões dos últimos dias contra navios que tentavam atravessar Ormuz, os confrontos foram retomados com uma intensidade sem precedentes, o que levou Trump a afirmar que o cessar-fogo “acabou”.
Na semana passada, o presidente dos Estados Unidos enviou ainda uma notificação oficial ao Congresso indicando que o conflito com o Irã havia sido retomado, segundo a agência de notícias AFP.
Já o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baqaei, afirmou na segunda-feira que o memorando de entendimento de junho, que serviu de base para as negociações e suspendeu o bloqueio americano em Ormuz, estava “em crise”. Baqaei avisou que o Irã ignoraria suas obrigações no âmbito do pacto se os Estados Unidos fizessem o mesmo, mas acrescentou que Teerã continuava mantendo conversas com mediadores do Catar, do Paquistão e de Omã para evitar uma escalada maior.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, expressou na segunda-feira sua “profunda preocupação” com a escalada regional.






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