Irã ameaça bloquear exportações de petróleo para além de Ormuz caso EUA continuem cerco
Forças Armadas iranianas dizem que podem interromper navegação também no Golfo Pérsico, no Golfo de Omã ou no Mar Vermelho
As Forças Armadas iranianas ameaçaram, nesta quarta-feira, 15, obstruir a navegação e as exportações de petróleo para além do Estreito de Ormuz caso os Estados Unidos não suspendam seu bloqueio naval a portos e navios do Irã. Na noite passada, o Centcom, comando do Pentágono responsável pelo Oriente Médio, anunciou que o cerco foi “plenamente aplicado” e que os militares americanos “interromperam completamente o comércio econômico que entra e sai do Irã pelo mar”.
Em resposta, o major-general Ali Abdollahi, comandante do Exército iraniano, afirmou que, se o bloqueio marítimo “gerar insegurança para os navios mercantes e petroleiros iranianos”, isto significará “o prelúdio” de uma violação do cessar-fogo, em vigor desde 8 de abril.
Nesse caso, as Forças Armadas do país “não permitirão que quaisquer exportações ou importações continuem no Golfo Pérsico, no Mar de Omã ou no Mar Vermelho”, declarou ele, segundo um comunicado divulgado pela televisão estatal. O Irã não tem acesso territorial ao Mar Vermelho, embora seus aliados, os rebeldes hutis do Iêmen, já tenham causado um rebuliço na região com ataques aéreos nos anos durante a guerra em Gaza.
Bloqueio naval
Com o bloqueio, analistas afirmam que Trump pretende não apenas asfixiar as receitas iranianas, mas também pressionar a China, maior compradora de petróleo do Irã, para que convença Teerã a reabrir o estreito. Por ora, Pequim considerou a operação como “perigosa e irresponsável”, enquanto a inteligência americana avaliou que o governo chinês pode enviar armas ao regime dos aiatolás, seus aliados.
Em declarações ao jornal New York Post na terça-feira, no entanto, o presidente americano abriu a porta para o reinício das negociações de paz com o Irã “nos próximos dois dias”, após o fracasso da primeira rodada de conversações no fim de semana passado.
As Bolsas subiram e o preço do petróleo caiu diante das esperanças de um acordo que permita o retorno do fluxo de combustíveis pelo Estreito de Ormuz. A passagem estratégica está bloqueada pelas forças iranianas desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, data dos primeiros ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã.
Duas fontes do governo do Paquistão disseram à AFP que Islamabad tenta convencer Washington e Teerã a retomarem o diálogo. O primeiro‑ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, iniciou uma intensa viagem diplomática de quatro dias que passará por Arábia Saudita, Catar e Turquia.
Ao mesmo tempo, Washington pressiona pelo fim do conflito entre Israel e o grupo libanês pró‑iraniano Hezbollah, por temer que esta frente de batalha coloque em perigo o cessar‑fogo de duas semanas com o Irã e uma solução para a guerra.
O Líbano foi arrastado para a guerra em 2 de março, quando o Hezbollah abriu uma frente contra Israel. Na terça, representantes israelenses e libaneses, vizinhos tecnicamente em guerra há décadas, concordaram em iniciar negociações diretas após uma rara reunião presencial em Washington. Foram as primeiras conversas de alto nível entre as partes desde 1993, com a mediação do secretário de Estado americano, Marco Rubio.
O representante israelense, Yechiel Leiter, chamou de “conversa maravilhosa” o diálogo, mas sua homóloga libanesa, Nada Hamadeh Moawad, foi menos efusiva sobre o diálogo “construtivo”. Ela afirmou que pressionou para obter um cessar-fogo. O Departamento de Estado americano, por sua vez, afirmou que “todas as partes concordaram em iniciar negociações diretas em um momento e local mutuamente acordados”.
Israel ocupa partes do sul do Líbano e resiste a qualquer trégua nos combates com o Hezbollah, alegando que o grupo continua sendo o principal obstáculo à paz.
“Grande acordo”
A disputa de décadas sobre o programa nuclear iraniano é o principal fator que condiciona o processo de negociações entre Estados Unidos e Irã. Segundo o vice-presidente americano, J.D. Vance, um “grande acordo” foi oferecido à República Islâmica.
Trump iniciou a guerra com o argumento de que o Irã estava próximo de fabricar uma bomba atômica, uma afirmação que não encontra respaldo no órgão de controle nuclear das Nações Unidas, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Teerã insiste que seu programa nuclear tem fins civis.
Segundo a imprensa americana, o governo dos Estados Unidos solicitou uma suspensão de 20 anos do programa de enriquecimento de urânio do Irã durante as conversações em Islamabad, enquanto Teerã propôs a suspensão das atividades nucleares por cinco anos, uma oferta rejeitada pelos representantes americanos.
Vance afirmou ainda que Trump prometeu “fazer o Irã prosperar” se o país assumir o compromisso de “não ter uma arma nuclear”.





