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Irã anuncia acordo com Omã para gestão conjunta do Estreito de Ormuz

Proposta estabelece um novo sistema de navegação, diferente do adotado antes da guerra

Por Sara Salbert Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO , Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 5 ago 2026, 14h32 | Atualizado em 5 ago 2026, 14h47
Irã anuncia acordo com Omã para gestão conjunta do Estreito de Ormuz Priorizar nos meus resultados Google

O Irã anunciou nesta quarta-feira, 5, que chegou a um acordo com o Omã sobre a divisão e administração do Estreito de Ormuz, rota por onde passa um quinto do petróleo e gás consumidos no planeta.

O ministério de Relações Exteriores iraniano informou que os negociadores de ambos os países estão finalizando os detalhes da administração conjunta da passagem e do controle do tráfego de embarcações.

“As coordenadas geográficas da rota proposta pelos dois países já foram definidas. Se não houver interferência de terceiros, a declaração conjunta, que reunirá os principais pontos de consenso e as considerações acordadas, também está em fase final de revisão e redação”, disse o porta-voz do ministério, Esmaeil Baqaei.

A proposta estabelece um novo sistema de navegação, diferente do adotado antes da guerra. Pelo acordo, os navios entrarão no Golfo Pérsico por uma rota sob controle do Irã e deixarão a região por uma passagem administrada por Omã, em uma tentativa de reorganizar o fluxo marítimo na área.

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Apesar do avanço nas negociações, Baqaei ressaltou que o entendimento bilateral, por si só, não será suficiente para garantir a segurança no estreito. Segundo ele, o impasse permanece ligado ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos a portos iranianos e à oposição de Washington à cobrança de pedágios ou à exigência de autorizações por parte do Irã para a navegação.

Ponto de atrito

Estratégica rota marítima no centro das tensões no Oriente Médio, Ormuz tem sido um dos principais pontos de atrito ao longo das tentativas diplomáticas para encerrar o conflito e foi o estopim das novas ofensivas entre Irã e Estados Unidos após os dois acordos de cessar-fogo (de abril e junho).

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O novo acordo foi firmado poucas horas após o presidente americano Donald Trump afirmar que o Irã seria “duramente atingido” caso as negociações para reabrir o estreito fracassem.

O Irã expressou intenção de ampliar seu controle sobre a rota e cobrar pedágios, algo que não fazia antes da guerra, medidas às quais os Estados Unidos se opõem. Além disso, o Ministério das Relações Exteriores iraniano negou estar negociando com Washington, apesar de Trump insistir que as conversas estão em andamento. Já o Catar, mediador nas conversas, afirmou que os contatos diplomáticos continuavam em andamento, mas que não estavam previstas reuniões diretas entre as partes.
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Possíveis termos do acordo

O portal de notícias Axios citou, sob condição de anonimato, autoridades regionais e um funcionário americano sobre um possível arranjo de 60 dias para a passagem segura pelo estreito — período durante o qual não seria cobrado nenhum pedágio. Segundo a apuração, o trato, que vinha sendo negociado há várias semanas, visa retomar o cessar-fogo e reiniciar o processo diplomático mais amplo, com intuito de chegar a um acordo nuclear.

Essas tratativas envolveram conversas diretas entre Omã e Irã, e mediadores do Catar, do Paquistão e da Arábia Saudita. A Casa Branca também participou ativamente: segundo o Axios, houve várias conversas telefônicas entre o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, os chanceleres do Irã, Abbas Araghchi, e de Omã, Badr al-Busaidi.

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Ataque no Mar Vermelho

As perturbações no fluxo de navegação em Ormuz aumentaram a importância das rotas marítimas pelo Mar Vermelho, onde os rebeldes hutis, grupo apoiado pelo Irã que controla amplos territórios no Iêmen, declararam em 20 de julho um bloqueio marítimo à Arábia Saudita, aliada próxima de Washington, e atacaram infraestruturas petrolíferas do reino.

O porto saudita de Yanbu, no Mar Vermelho, permitiu a Riad manter seus envios aos mercados globais, contornando completamente Ormuz, mas desde que os hutis anunciaram seu bloqueio, reivindicaram ataques contra vários navios. Na terça-feira, a embarcação indiana MSV Faize Noore Oliya afundou em local próximo à costa do Iêmen após ter sido bombardeado. Autoridades da Índia informaram que os 14 tripulantes foram resgatados, enquanto o governo iemenita atribuiu a incursão aos rebeldes.

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Também na terça-feira, um aeroporto no sudoeste da Arábia Saudita, perto da fronteira com o Iêmen, suspendeu suas operações depois de um ataque huti.

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