Irã foi enfraquecido, mas ainda é ameaça, admite diretora de inteligência dos EUA
Tulsi Gabbard também informou que Teerã não tentou enriquecer urânio desde junho de 2025, contrariando justificativa de Trump para a guerra
A diretora de Inteligência Nacional dos Estados Unidos, Tulsi Gabbard, afirmou nesta quarta-feira, 18, que o Irã continua capaz de atacar os interesses de Washington e de seus aliados no Oriente Médio, ainda que esteja “enfraquecido”. O comentário foi feito durante uma audiência do Comitê de Inteligência do Senado sobre Ameaças Globais, que se concentra no conflito contra Teerã.
“O regime iraniano parece estar intacto, mas em grande parte enfraquecido pela Operação Epic Fury. Mesmo assim, o Irã e seus parceiros continuam capazes de atacar interesses dos EUA e de seus aliados no Oriente Médio e continuam a fazê-lo”, disse ela aos parlamentares.
De acordo com Gabbard, embora a posição estratégica de Teerã tenha sido “significativamente degradada” em decorrência da guerra, a estrutura de sustentação do governo segue de pé. Nessas condições, o regime iraniano deverá iniciar “um esforço de anos para reconstruir suas forças armadas, mísseis e drones”, caso sobreviva.
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Programa nuclear iraniano
Questionada sobre o estado atual do programa nuclear iraniano, a diretora reafirmou que os ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel em junho de 2025 devastaram a infraestrutura atômica iraniana. Mas adicionou um ponto importante: a inteligência americana concluiu nesta quarta que o Irã não estava reconstruindo suas capacidades de enriquecimento nuclear destruídas na ocasião, contradizendo as justificativas do presidente Donald Trump para a guerra.
“Como resultado da Operação Martelo da Meia-Noite, o programa nuclear iraniano foi aniquilado. Desde então, não houve esforços para reconstruir sua capacidade de enriquecimento”, disse Gabbard.
Essa conclusão foi compartilhada por escrito em uma análise anual de ameaças, e não quando ela se dirigiu aos senadores. Quando confrontada sobre o porquê por um congressista democrata, Gabbard respondeu que não teve tempo suficiente para ler o relatório completo durante a audiência, embora não tenha negado a validade da análise.
Desde que a guerra ao Irã começou, em 28 de fevereiro, Trump tem reiteradamente afirmado que os ataques americanos eram necessários para conter uma “ameaça iminente” e que o regime iraniano estava a poucas semanas de obter uma bomba atômica.
“Se nós não tivéssemos atacado, dentro de duas semanas eles teriam uma arma nuclear”, disse o republicano a repórteres no dia 4 de março, contrariando a visão da maioria dos observadores internacionais.
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Republicana “moderada”
Notória por construir sua carreira como uma crítica ferrenha de guerras de “mudança de regime”, Gabbard era a superior imediata de Joe Kent, chefe do Centro Nacional de Contraterrorismo (NCTC, na sigla em inglês), que renunciou ao cargo na terça 17 por não apoiar a guerra. Como justificativa para sua decisão, Kent afirmou que “o Irã não representava uma ameaça iminente à nossa nação”.
Gabbard e Kent fazem parte da ala governista de republicanos com “mentalidade moderada” e, particularmente, anti-intervencionismo. O setor, que também conta com o vice-presidente J.D. Vance, tem receios com conflitos sem prazo definido para acabar, guardando memórias traumáticas das guerras no Iraque e no Afeganistão. De acordo com a emissora americana NBC, o trio se reuniu na segunda-feira 16, mesmo dia no qual o ex-chefe do NCTC apresentou sua renúncia.
Embora tenha se mantido em silêncio desde o início das hostilidades, a diretora se viu forçada a publicar uma declaração após a saída de Kent. Na peça, Gabbard afirma que Trump, no papel de comandante-em-chefe, “é responsável por julgar o que é e o que não é uma ameaça iminente”. A postura neutra, sem emissão de uma opinião particular, foi vista como incomum para muitos.
Ex-candidata nas eleições primárias do Partido Democrata em 2020, Gabbard trocou a camisa e apoiou Trump nas eleições de 2024. Na ocasião, ela defendia que o republicano impediria os Estados Unidos de serem arrastados para guerras no exterior, sendo diferente do rival, Joe Biden, definido como um belicista pelo seu apoio à Ucrânia contra a invasão russa.






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