Irã retalia primeiro ataque dos EUA em um mês e conflito no Oriente Médio volta a escalar
Forças iranianas dispara contra bases americanas em nações do Golfo; presidente Masoud Pezeshkian viaja ao Quirguistão para encontrar aliados como Putin
O Irã atacou alvos militares dos Estados Unidos no Oriente Médio nesta segunda-feira, 31, em retaliação aos bombardeios americanos contra uma ilha no Estreito de Ormuz, na primeira troca de disparos entre ambos os países em um mês.
Seis meses após o início do conflito, Teerã mantém o estreito fechado e Washington persiste com um bloqueio naval dos portos iranianos. Na semana passada, o governo Donald Trump havia sugerido um giro em direção à pressão econômica no lugar da ação militar, mas, no domingo 30, as forças americanas atacaram lançadores de foguetes iranianos na pequena ilha de Larak, deixando dois mortos e dois feridos.
Em retaliação, a Guarda Revolucionária iraniana anunciou ter lançado mísseis balísticos contra duas bases aéreas militares americanas na Jordânia, aliada de Washington, o que teria provocado “graves danos”; enquanto isso a TV estatal informou que militares americanos foram atacados com “dezenas de drones” em uma base aérea nos Emirados Árabes Unidos.
Porém, o Exército jordaniano afirmou que interceptou oito mísseis, sem anunciar sua procedência. As forças emiratis, por sua vez, afirmaram apenas que “responderam” a um drone procedente do Irã, detectado em suas águas territoriais.
“Não buscamos a guerra, mas daremos uma resposta contundente aos agressores”, declarou o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, em um comunicado citado pela televisão estatal.
Guerra econômica
Washington afirmou que os ataques de domingo 30 tinham como objetivo impedir que o Irã instalasse mais minas marítimas em Ormuz, poucos dias após anunciar que havia concluído a limpeza de explosivos na região. Trump insiste que seu país tem “controle total” do estreito e chegou a afirmar que o local era território dos Estados Unidos.
Nas semanas anteriores, as hostilidades haviam perdido intensidade. O governo americano havia privilegiado a “guerra econômica” em vez dos bombardeios contra o Irã, apesar das trocas esporádicas de tiros na região. O objetivo da chamada “Operação Pária Econômico” é isolar a nação persa do resto do mundo por meio de sanções secundárias, aquelas que atingem os parceiros comerciais de diplomáticos de Teerã.
Por ora, não parece ter surtido o efeito desejado em termos de isolamento. Nesta segunda-feira, Pezeshkian, o presidente iraniano, viajou ao Quirguistão para uma cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), um bloco que, com o presidente russo, Vladimir Putin, e o chinês Xi Jinping, busca ser uma influência alternativa diante do Ocidente.







