Irã revela termos de acordo em negociação avançada com EUA
Pontos incluem restauração do tráfego pelo Estreito de Ormuz para os níveis pré-guerra dentro de um mês
O Irã recebeu um rascunho informal das bases de um possível acordo com os Estados Unidos, informou a emissora estatal iraniana nesta terça-feira, 27. Os termos, segundo o veículo, incluem a restauração do tráfego pelo Estreito de Ormuz, rota vital para o comércio internacional de petróleo bloqueada por Teerã, para os níveis pré-guerra dentro de um mês. Os EUA, por sua vez, teriam de retirar suas forças militares das proximidades do Irã e suspender o bloqueio naval ao país.
De acordo com a agência de notícias iraniana Mizan, o documento também estabelece que a navegação pela passagem será gerenciada pelo Irã e por Omã. A imprensa local não mencionou a questão nuclear — um aspecto-chave para o governo de Donald Trump. No entanto, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, já descartou a ideia de que o regime abrirá mão do estoque de urânio enriquecido.
“A tarefa é muito clara em relação às questões nucleares. Somos membros do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) e, como membros, temos o direito de usar a energia nuclear para fins pacíficos”, disse Baghaei.
“Também deixamos nossas posições muito claras em relação ao urânio altamente enriquecido do Irã. Se fôssemos discutir os detalhes dessas questões neste momento, não chegaríamos a uma conclusão. Porque já trilhamos esse caminho antes e as divergências de opinião foram tão grandes que não conseguimos chegar a um consenso”, acrescentou ele.
No início da guerra, em 28 de fevereiro, o Irã tinha cerca de 440 kg de urânio enriquecido a 60%, segundo autoridades americanas. O material pode ser concentrado, com certa velocidade, até os 90% necessários para atingir grau militar. Além disso, detinha cerca de uma tonelada de urânio enriquecido a 20% e 8,5 mil quilos a cerca de 3,6% — usados para fins civis, como produção de energia.
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Tensão em alta
As negociações ocorrem em meio a uma nova escalada das tensões no conflito. Na segunda-feira 25, o Comando Central dos EUA (Centcom, na sigla em inglês) anunciou que “as forças americanas realizaram ataques de autodefesa no sul do Irã” para proteger suas “tropas das ameaças representadas pelas forças iranianas”. O comunicado não deu detalhes sobre os ataques e informou apenas que os alvos incluíam locais de lançamento de mísseis e barcos que tentavam “instalar minas”.
Em paralelo, a Guarda Revolucionária Islâmica informou que abateu um drone MQ9 Reaper que invadiu o espaço aéreo iraniano. Além disso, afirmou ter disparado contra caça F-35 e um drone de coleta de informações RQ4. O exército ideológico do Irã alertou “contra qualquer violação do cessar-fogo por parte das forças armadas agressivas dos EUA e considera legítimo e certo o seu direito a uma resposta recíproca”.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã também reiterou a violação do cessar-fogo na região de Hormozgan e condenou os “repetidos assédios navais contra navios comerciais iranianos”, acrescentando: “A República Islâmica do Irã não deixará nenhum ato de agressão sem resposta e não hesitará em defender o povo iraniano com a menor demora”. A imprensa estatal iraniana também relatou explosões na cidade portuária de Bandar Abbas, perto do Estreito de Ormuz.







