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Israel diz que continuará no Líbano apesar de acordo entre EUA e Irã

Teerã condicionou paz ao fim das hostilidades em todas as frentes, incluindo confronto entre forças israelenses e Hezbollah

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 15 jun 2026, 09h54
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As Forças de Defesa de Israel (IDF) permanecerão no Líbano, na Síria e em Gaza “indefinidamente”, afirmou o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, nesta segunda-feira, 15, o que pode representar um obstáculo ao acordo anunciado um dia antes entre os Estados Unidos e o Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio.

“As IDF permanecerão nas zonas de segurança no Líbano, na Síria e em Gaza – indefinidamente – para defender a fronteira e as comunidades israelenses contra elementos jihadistas”, declarou Katz, segundo o jornal israelense Haaretz.

Apesar de ter iniciado a guerra ao Irã ao lado dos Estados Unidos no final de fevereiro, Israel foi excluído das negociações mediadas pelo Paquistão sobre o acordo de paz – e muitos políticos e cidadãos israelenses querem que as forças militares sigam com as operações no Líbano, uma frente à parte do conflito, para enfraquecer ainda mais o Hezbollah, milícia xiita apoiada pelo regime dos aiatolás.

Pelo menos 3.711 libaneses foram mortos em bombardeios, segundo o Ministério da Saúde do país, ao longo dos combates que continuam apesar de um cessar-fogo local. A batalha começou em 2 de março, pouco após os ataques iniciais contra o Irã, quando o Hezbollah disparou foguetes contra o norte de Israel em retaliação pelo assassinato do então líder supremo iraniano, Ali Khamenei.

A ofensiva israelense em solo libanês também levou à destruição generalizada de infraestruturas no sul do Líbano e provocou uma crise de refugiados, na qual mais de 1 milhão de pessoas foram forçadas a fugir de suas casas mediante ordens de retirada em massa, muitas vezes emitidas com pouco ou nenhum aviso prévio.

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Nos últimos dois anos e meio, Israel assumiu o controle de áreas em Gaza, Líbano e Síria, totalizando 1.000 quilômetros quadrados – quase do tamanho da cidade de Nova York.

Acordo de paz

Os detalhes do tratado não foram divulgados imediatamente, mas sua implementação não deve começar até a assinatura, que, segundo o Paquistão, ocorrerá na sexta-feira, 19, na Suíça. De acordo com o presidente americano, Donald Trump, está prevista a reabertura total do nevrálgico Estreito de Ormuz, o que trouxe alívio para os mercados globais.

Mas o memorando de entendimento sobre a guerra já enfrenta obstáculos. As contínuas hostilidades de Israel com o Hezbollah quase inviabilizaram as negociações, uma vez que o Irã condicionou o memorando de entendimento provisório à suspensão dos bombardeios ao Líbano, algo respaldado pelos mediadores paquistaneses: “Ambos os lados declararam o fim imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, inclusive no Líbano”, declarou o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif. O ministro Katz também ameaçou que, se Teerã atacar Israel em resposta à sua ofensiva em território libanês, suas forças responderão com “grande força”.

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Além disso, o acordo entre os Estados Unidos e o Irã concede apenas 60 dias para resolver questões altamente sensíveis, como o destino do estoque de urânio altamente enriquecido do Irã e seu programa nuclear. Esse imbróglio levou mais de dois anos para ser solucionado no tratado de 2015, assinado na era Barack Obama com Teerã — do qual Trump retirou unilateralmente os Estados Unidos durante seu primeiro mandato.

Caso as partes não cheguem a um acordo dentro desse prazo, o cronograma poderá ser estendido.

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