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Joe Biden abre processo contra governo Trump

Ex-presidente tenta impedir divulgação de entrevistas que fez com ghostwriter, que Departamento de Justiça afirma conter evidências de seu 'declínio mental'

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 Maio 2026, 16h57 | Atualizado em 27 Maio 2026, 18h22
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O ex-presidente americano Joe Biden abriu, nesta quarta-feira, 27, um processo contra o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, com objetivo de impedir a divulgação de entrevistas que fez com o ghostwriter de sua biografia. O democrata afirmou que o material consiste de “informações privadas”, enquanto o governo Donald Trump acredita que as conversas podem conter detalhes sobre sua suposta deterioração cognitiva, que foi motivo de especulação durante a reta final de seu mandato.

O procurador especial Robert Hur obteve as gravações e transcrições das entrevistas no âmbito de uma investigação sobre Biden por retenção indevida de documentos confidenciais. Na época, Hur não recomendou acusações contra o então presidente, mas levantou questionamentos sobre sua capacidade mental e física para continuar no cargo.

Após Trump retornar à Casa Branca, no ano passado, o Departamento de Justiça acusou o governo anterior de tentar “esconder gravações de áudio que demonstram claramente um declínio significativo” no estado mental de Biden. Já em 2024, deputados republicanos e o Heritage Foundation, um think tank conservador, solicitaram as entrevistas para sua biografia, e o governo Trump prometeu divulgá-las até 15 de junho.

O livro, as informações e problemas de memória

Em 2017, como parte da elaboração da biografia Promessa de pai: Um ano de sofrimento, esperança e determinação (Cia. Das Letras, 2020), Biden conversou com o coautor Mark Zwonitzer sobre os eventos que cercaram a morte de seu filho mais velho, Beau, em 2015.

Hur afirmou em seu relatório de 2024, citando gravações com Zwonitzer, que durante as entrevistas Biden se referiu a anotações que havia feito enquanto era vice-presidente de Barack Obama (2009-2017), algumas das quais pareciam conter informações confidenciais.

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O procurador especial observou que “a memória do Sr. Biden também parecia ter limitações significativas” e descreveu as entrevistas com Zwonitzer como “dolorosamente lentas, em que o Sr. Biden luta para se lembrar dos eventos e, às vezes, se esforça para ler e relatar suas próprias anotações”.

O relatório de Hur causou grande polêmica em Washington e aumentou as especulações sobre a capacidade de Biden permanecer no cargo devido à sua idade (hoje, ele tem 83 anos, três mais velho que Trump). O democrata acabou desistindo da reeleição após uma performance desastrosa em um debate eleitoral contra o republicano, que gerou preocupação inclusive entre seus correligionários.

“Biden tentou esconder”

Enquanto isso, membros do Partido Republicano começaram a pedir por seu impeachment, e parlamentares de três comissões do Congresso solicitaram as gravações das entrevistas para a biografia como prova.

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Na época, o Departamento de Justiça se opôs, mas isso mudou sob o governo Trump.

“O Departamento de Justiça de Joe Biden tentou esconder gravações de áudio que demonstram claramente um declínio significativo em suas capacidades cognitivas já em 2016”, disse a porta-voz do Departamento de Justiça, Natalie Baldassarre, em comunicado. “Lutaremos para garantir que o povo americano possa ouvir essas gravações e tirar suas próprias conclusões sobre a acuidade mental do ex-presidente antes de ele se candidatar à presidência.”

Na queixa, os advogados de Biden argumentam que os materiais estão protegidos sob a Lei de Privacidade e sua divulgação seria uma violação da Lei de Procedimento Administrativo, que estabelece as diretrizes legais para o funcionamento do governo. Eles também acusaram o governo Trump de usar uma justificativa falsa “para divulgar registros que refletem conversas privadas do presidente Biden com o objetivo de expô-lo, entre outros propósitos impróprios”.

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