Joe Biden abre processo contra governo Trump
Ex-presidente tenta impedir divulgação de entrevistas que fez com ghostwriter, que Departamento de Justiça afirma conter evidências de seu 'declínio mental'
O ex-presidente americano Joe Biden abriu, nesta quarta-feira, 27, um processo contra o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, com objetivo de impedir a divulgação de entrevistas que fez com o ghostwriter de sua biografia. O democrata afirmou que o material consiste de “informações privadas”, enquanto o governo Donald Trump acredita que as conversas podem conter detalhes sobre sua suposta deterioração cognitiva, que foi motivo de especulação durante a reta final de seu mandato.
O procurador especial Robert Hur obteve as gravações e transcrições das entrevistas no âmbito de uma investigação sobre Biden por retenção indevida de documentos confidenciais. Na época, Hur não recomendou acusações contra o então presidente, mas levantou questionamentos sobre sua capacidade mental e física para continuar no cargo.
Após Trump retornar à Casa Branca, no ano passado, o Departamento de Justiça acusou o governo anterior de tentar “esconder gravações de áudio que demonstram claramente um declínio significativo” no estado mental de Biden. Já em 2024, deputados republicanos e o Heritage Foundation, um think tank conservador, solicitaram as entrevistas para sua biografia, e o governo Trump prometeu divulgá-las até 15 de junho.
O livro, as informações e problemas de memória
Em 2017, como parte da elaboração da biografia Promessa de pai: Um ano de sofrimento, esperança e determinação (Cia. Das Letras, 2020), Biden conversou com o coautor Mark Zwonitzer sobre os eventos que cercaram a morte de seu filho mais velho, Beau, em 2015.
Hur afirmou em seu relatório de 2024, citando gravações com Zwonitzer, que durante as entrevistas Biden se referiu a anotações que havia feito enquanto era vice-presidente de Barack Obama (2009-2017), algumas das quais pareciam conter informações confidenciais.
O procurador especial observou que “a memória do Sr. Biden também parecia ter limitações significativas” e descreveu as entrevistas com Zwonitzer como “dolorosamente lentas, em que o Sr. Biden luta para se lembrar dos eventos e, às vezes, se esforça para ler e relatar suas próprias anotações”.
O relatório de Hur causou grande polêmica em Washington e aumentou as especulações sobre a capacidade de Biden permanecer no cargo devido à sua idade (hoje, ele tem 83 anos, três mais velho que Trump). O democrata acabou desistindo da reeleição após uma performance desastrosa em um debate eleitoral contra o republicano, que gerou preocupação inclusive entre seus correligionários.
“Biden tentou esconder”
Enquanto isso, membros do Partido Republicano começaram a pedir por seu impeachment, e parlamentares de três comissões do Congresso solicitaram as gravações das entrevistas para a biografia como prova.
Na época, o Departamento de Justiça se opôs, mas isso mudou sob o governo Trump.
“O Departamento de Justiça de Joe Biden tentou esconder gravações de áudio que demonstram claramente um declínio significativo em suas capacidades cognitivas já em 2016”, disse a porta-voz do Departamento de Justiça, Natalie Baldassarre, em comunicado. “Lutaremos para garantir que o povo americano possa ouvir essas gravações e tirar suas próprias conclusões sobre a acuidade mental do ex-presidente antes de ele se candidatar à presidência.”
Na queixa, os advogados de Biden argumentam que os materiais estão protegidos sob a Lei de Privacidade e sua divulgação seria uma violação da Lei de Procedimento Administrativo, que estabelece as diretrizes legais para o funcionamento do governo. Eles também acusaram o governo Trump de usar uma justificativa falsa “para divulgar registros que refletem conversas privadas do presidente Biden com o objetivo de expô-lo, entre outros propósitos impróprios”.





