Líder supremo do Irã diz que EUA foram derrotados e sofrem ‘humilhação profunda’
Motjaba Khamenei acusou Washington de tentar reverter fracasso semeando 'desespero, medo, desconfiança e discórdia'
O líder supremo do Irã, Motjaba Khamenei, disse nesta quinta-feira, 4, que os Estados Unidos foram derrotados na guerra travada entre os países e estão sofrendo uma “humilhação profunda”, um dia após o presidente americano, Donald Trump, afirmar que gostaria de conhecê-lo.
Em uma mensagem publicada nas redes sociais, Khamenei acusou Washington de tentar reverter sua derrota semeando “desespero, medo, desconfiança e discórdia”.
“O inimigo malicioso foi derrotado em seu confronto com as Forças Armadas. Tendo recebido um golpe decisivo, tanto no combate militar quanto nas praças e ruas, ele está sofrendo uma humilhação profunda e significativa”, afirmou.
A declaração do aiatolá ocorre após Trump afirmar que o Irã concordou em não ter armas nucleares — um dos principais pontos de discórdia entre os dois lados da guerra, iniciada em 28 de fevereiro. Teerã não confirmou a fala do presidente americano.
O republicano também declarou que o líder supremo do iraniano está “absolutamente” envolvido nas tratativas. O aiatolá de 56 anos foi ferido nos ataques dos EUA e Israel ao país e, desde então, não aparece em público. A ausência aumenta rumores de que seu estado de saúde é grave — uma alegação rejeitada pelo Irã, que relatou apenas ferimentos “superficiais”. Ali Khamenei, então líder supremo e pai de Mojtaba, morreu no bombardeio.
“Sim, eu gostaria de me encontrar com ele. Gostaria de me encontrar com todos… Provavelmente nos encontraremos em algum momento, dependendo de como tudo se desenrolar”, disse o mandatário da Casa Branca. Ao ser questionado sobre a saúde de Mojtaba, respondeu: “Se você acredita nas histórias que ele conta, sabe, faltam muitas peças diferentes do quebra-cabeça.”
Escalada das tensões
O principal negociador do Irã e presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou nesta quarta-feira que Teerã responderá de forma “decisiva” a qualquer nova agressão dos EUA ou de Israel, em meio à escalada das tensões no Oriente Médio.
Segundo a agência estatal iraniana ISNA, Ghalibaf declarou que Teerã considera encerrado o período em que adversários poderiam agir contra o país sem enfrentar consequências.
“Hoje, a nação iraniana, em sua batalha contra os Estados Unidos e o regime sionista, mostrou que a era das ameaças gratuitas ao Irã acabou e que qualquer agressão será respondida de forma decisiva, lamentável e proporcional”, afirmou o presidente do Parlamento.
Na semana passada, o Irã e os EUA sinalizaram progresso em direção a um acordo inicial provisório para interromper a guerra e reabrir o estreito, mas os dois lados ainda não assinaram o acordo formalmente.
Trump afirmou que as negociações continuam, mas autoridades iranianas indicaram que os canais de comunicação estão praticamente paralisados. Teerã condiciona qualquer avanço diplomático ao ao fim dos combates no Líbano e ao relaxamento de sanções econômicas impostas pelos americanos.







