Lula e Trump conversam sobre tarifaço; veja pontos abordados
Presidente brasileiro reforçou que alegações que sustentam imposição de tarifas são 'infundadas', segundo Planalto
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou nesta sexta-feira, 21, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo o Palácio do Planalto. O telefonema “amistoso e cordial” durou cerca de uma hora e vinte minutos.
Em nota, o Planalto afirmou que Lula enfatizou, diante da recente imposição de tarifas americanas sobre o Brasil, que “as alegações que embasaram a medida (desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos com trabalho forçado) são infundadas”.
“O presidente Trump concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes e propôs que equipes dos dois países voltassem a se reunir o mais brevemente possível”, diz o texto.
Ao longo da conversa, Lula também reiterou o interesse brasileiro em cooperação no combate ao crime organizado, argumentando que “grupos criminosos exercem terror cotidiano sobre as populações mais carentes, mas não se confundem com organizações terroristas”.
Antes, Lula já havia dito que achou um “desaforo” e um “rompante” as decisões dos Estados Unidos de classificar as facções PCC e CV como grupos terroristas.
Os dois presidentes trocaram, ainda, “impressões sobre os principais conflitos globais” e concordaram “sobre a urgência de encontrar uma solução negociada para o conflito entre Rússia e Ucrânia, que já se estende por quase cinco anos”.
Reciprocidade
Na semana passada, o governo brasileiro abriu o processo para avaliar a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos. A medida é uma reação à tarifa de 25% sobre exportações brasileiras adotada pelo governo Trump em julho.
A abertura do processo não significa a aplicação imediata de novas tarifas. A análise será feita no âmbito da Câmara de Comércio Exterior, a Camex, e poderá incluir consultas a representantes dos setores público e privado. Depois dessa etapa, o governo poderá definir quais medidas serão adotadas contra os Estados Unidos.
A possibilidade de acionar a Lei da Reciprocidade estava sendo discutida desde a adoção da sobretaxa americana. No dia seguinte à aplicação da medida, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que a legislação era um instrumento disponível e que o governo avaliaria o momento e a forma de utilizá-la.
Desde então, Itamaraty e Ministério do Desenvolvimento tentam negociar uma flexibilização das tarifas ou ampliar a lista de produtos brasileiros beneficiados por exceções, até agora sem sucesso.
A nota enviada pelo Planalto sobre a conversa entre os líderes nesta sexta, no entanto, não cita a recente tensão diplomática entre os dois países, após o governo brasileiro decidir adotar o princípio de reciprocidade diplomática contra os EUA em resposta à revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.
A medida dos EUA seria uma resposta ao fato de o governo Lula não ter concedido o aval diplomático para que Daniel Perez assuma a embaixada do país americano no Brasil. Em nota oficial, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República classificou a medida como parte de uma “escalada deliberada de medidas hostis” contra o Brasil e rejeitou os argumentos apresentados pelo governo americano para justificar a decisão.
Em entrevista recente ao canal de YouTube Meteoro Brasil, Lula afirmou que se trata de uma “atitude irresponsável, impensada” e um movimento “desnecessário”.







