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Lula e Trump conversam sobre tarifaço; veja pontos abordados

Presidente brasileiro reforçou que alegações que sustentam imposição de tarifas são 'infundadas', segundo Planalto

Por Caio Saad Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 21 ago 2026, 13h16 | Atualizado em 24 ago 2026, 11h58
Lula e Trump conversam sobre tarifaço; veja pontos abordados Priorizar nos meus resultados Google

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou nesta sexta-feira, 21, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo o Palácio do Planalto. O telefonema “amistoso e cordial” durou cerca de uma hora e vinte minutos.

Em nota, o Planalto afirmou que Lula enfatizou, diante da recente imposição de tarifas americanas sobre o Brasil, que “as alegações que embasaram a medida (desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos com trabalho forçado) são infundadas”.

“O presidente Trump concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes e propôs que equipes dos dois países voltassem a se reunir o mais brevemente possível”, diz o texto.

Ao longo da conversa, Lula também reiterou o interesse brasileiro em cooperação no combate ao crime organizado, argumentando que “grupos criminosos exercem terror cotidiano sobre as populações mais carentes, mas não se confundem com organizações terroristas”.

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Antes, Lula já havia dito que achou um “desaforo” e um “rompante” as decisões dos Estados Unidos de classificar as facções PCC e CV como grupos terroristas.

Os dois presidentes trocaram, ainda, “impressões sobre os principais conflitos globais” e concordaram “sobre a urgência de encontrar uma solução negociada para o conflito entre Rússia e Ucrânia, que já se estende por quase cinco anos”.

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Reciprocidade

Na semana passada, o governo brasileiro abriu o processo para avaliar a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos. A medida é uma reação à tarifa de 25% sobre exportações brasileiras adotada pelo governo Trump em julho.

A abertura do processo não significa a aplicação imediata de novas tarifas. A análise será feita no âmbito da Câmara de Comércio Exterior, a Camex, e poderá incluir consultas a representantes dos setores público e privado. Depois dessa etapa, o governo poderá definir quais medidas serão adotadas contra os Estados Unidos.

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A possibilidade de acionar a Lei da Reciprocidade estava sendo discutida desde a adoção da sobretaxa americana. No dia seguinte à aplicação da medida, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que a legislação era um instrumento disponível e que o governo avaliaria o momento e a forma de utilizá-la.

Desde então, Itamaraty e Ministério do Desenvolvimento tentam negociar uma flexibilização das tarifas ou ampliar a lista de produtos brasileiros beneficiados por exceções, até agora sem sucesso.

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A nota enviada pelo Planalto sobre a conversa entre os líderes nesta sexta, no entanto, não cita a recente tensão diplomática entre os dois países, após o governo brasileiro decidir adotar o princípio de reciprocidade diplomática contra os EUA em resposta à revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.

A medida dos EUA seria uma resposta ao fato de o governo Lula não ter concedido o aval diplomático para que Daniel Perez assuma a embaixada do país americano no Brasil. Em nota oficial, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República classificou a medida como parte de uma “escalada deliberada de medidas hostis” contra o Brasil e rejeitou os argumentos apresentados pelo governo americano para justificar a decisão.

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Em entrevista recente ao canal de YouTube Meteoro Brasil, Lula afirmou que se trata de uma “atitude irresponsável, impensada” e um movimento “desnecessário”.

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