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Pequim prepara cúpula trilateral com Xi, Putin e Trump, diz governo russo

Os líderes das três maiores potências do mundo podem se encontrar no fórum da APEC, sediado pela China em novembro

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 1 set 2026, 16h13 | Atualizado em 1 set 2026, 16h45
Pequim prepara cúpula trilateral com Xi, Putin e Trump, diz governo russo Priorizar nos meus resultados Google

O assessor de política externa do Kremlin, Yuri Ushakov, anunciou nesta terça-feira, 1º de setembro, que o governo chinês prepara uma potencial reunião trilateral entre o presidente Xi Jinping e seus homólogos da Rússia, Vladimir Putin, e dos Estados Unidos, Donald Trump.

O encontro, que colocaria no mesmo cômodo os líderes das três maiores potências do planeta, ocorreria na próxima cúpula do fórum de Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (APEC). A China sediará os representantes do bloco formado por países banhados pelo Oceano Pacífico nos dias 18 e 19 de novembro, na cidade de Shenzhen.

Questionado por uma emissora estatal sobre a possibilidade de uma reunião trilateral, Ushakov disse que a presença de todos os três líderes é esperada no fórum e que “essa questão foi discutida, sim”.

“Se as coisas acontecerem como foi discutido, então os três poderão realizar uma reunião”, acrescentou o assessor do governo russo em conversa com a imprensa às margens de uma outra cúpula — da Organização para Cooperação de Xangai, no Quirguistão, da qual Putin e Xi participaram.

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Até a publicação desta reportagem, a Casa Branca não havia comentado sobre o assunto.

O tango do dragão, do urso e da águia

Os planos para a trilateral foram anunciados ao mesmo tempo que Washington faz acenos a Moscou, tomando medidas para ampliar o contato com figuras-chave do governo Putin — como a visita inesperada do diretor da CIA, John Ratcliffe, à capital russa, e a presença surpresa do ministro das Finanças da Rússia, Anton Siluanov, em uma reunião do G20 sediada no estado americano da Carolina do Norte na segunda-feira.

Ao mesmo tempo, espera-se que Xi viaje a Washington no dia 24 de setembro, após a pomposa visita de Estado de Trump a Pequim, em maio, quando de concreto pouco extraíram, mas ao menos foi aberto um diálogo.

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No campo das relações com a Rússia, o assunto dominante é, por óbvio, a guerra na Ucrânia. As esperanças de um avanço diplomático permanecem remotas, uma vez que nenhum dos lados do conflito que avança para seu quinto ano está disposto a ceder território ao outro. Conversas mediadas pelos Estados Unidos neste ano fracassaram, principalmente, devido às exigências territoriais de Moscou — que envolve a demanda por territórios no leste ucraniano –, enquanto Kiev se recusou a abrir mão de qualquer pedaço de terra que ainda controle.

Na semana passada, porém, o principal assessor presidencial da Ucrânia, Kyrylo Budanov, afirmou que tratativas envolvendo a Ucrânia, a Rússia e os Estados Unidos poderiam ocorrer “muito em breve”.

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Quanto à China, a tecnologia (nomeadamente, a corrida para desenvolver inteligência artificial e os superchips que a alimentam) é a questão mais crítica para as conversas entre Trump e Xi. Os dois também estão em processo de negociação de um acordo comercial depois que, no final do ano passado, Pequim e Washington estabeleceram uma trégua na guerra tarifária que travam, com poder de abalar o mundo. O pacto provisório, porém, expira em outubro.

Enquanto isso, Putin e Xi têm se aproximado. Depois de anunciarem uma “amizade sem limites” no início de 2022, aprofundaram laços comerciais e militares no contexto da guerra na Ucrânia, pela qual a Rússia tornou-se um pária perante o Ocidente, mas que o líder chinês escolheu encarar com “neutralidade”. Além de terem mantido uma bilateral às margens da cúpula da Organização para Cooperação de Xangai, nesta terça-feira, os dois devem voltar a se ver no encontro do BRICS, que será realizado em Nova Délhi nos dias 12 e 13 de setembro, embora Pequim ainda não tenha confirmado a participação de Xi.

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O que acontecerá se os três se juntarem na mesma sala? Todo mundo, decerto, daria tudo para ser uma mosquinha na parede.

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