Pequim prepara cúpula trilateral com Xi, Putin e Trump, diz governo russo
Os líderes das três maiores potências do mundo podem se encontrar no fórum da APEC, sediado pela China em novembro
O assessor de política externa do Kremlin, Yuri Ushakov, anunciou nesta terça-feira, 1º de setembro, que o governo chinês prepara uma potencial reunião trilateral entre o presidente Xi Jinping e seus homólogos da Rússia, Vladimir Putin, e dos Estados Unidos, Donald Trump.
O encontro, que colocaria no mesmo cômodo os líderes das três maiores potências do planeta, ocorreria na próxima cúpula do fórum de Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (APEC). A China sediará os representantes do bloco formado por países banhados pelo Oceano Pacífico nos dias 18 e 19 de novembro, na cidade de Shenzhen.
Questionado por uma emissora estatal sobre a possibilidade de uma reunião trilateral, Ushakov disse que a presença de todos os três líderes é esperada no fórum e que “essa questão foi discutida, sim”.
“Se as coisas acontecerem como foi discutido, então os três poderão realizar uma reunião”, acrescentou o assessor do governo russo em conversa com a imprensa às margens de uma outra cúpula — da Organização para Cooperação de Xangai, no Quirguistão, da qual Putin e Xi participaram.
Até a publicação desta reportagem, a Casa Branca não havia comentado sobre o assunto.
O tango do dragão, do urso e da águia
Os planos para a trilateral foram anunciados ao mesmo tempo que Washington faz acenos a Moscou, tomando medidas para ampliar o contato com figuras-chave do governo Putin — como a visita inesperada do diretor da CIA, John Ratcliffe, à capital russa, e a presença surpresa do ministro das Finanças da Rússia, Anton Siluanov, em uma reunião do G20 sediada no estado americano da Carolina do Norte na segunda-feira.
Ao mesmo tempo, espera-se que Xi viaje a Washington no dia 24 de setembro, após a pomposa visita de Estado de Trump a Pequim, em maio, quando de concreto pouco extraíram, mas ao menos foi aberto um diálogo.
No campo das relações com a Rússia, o assunto dominante é, por óbvio, a guerra na Ucrânia. As esperanças de um avanço diplomático permanecem remotas, uma vez que nenhum dos lados do conflito que avança para seu quinto ano está disposto a ceder território ao outro. Conversas mediadas pelos Estados Unidos neste ano fracassaram, principalmente, devido às exigências territoriais de Moscou — que envolve a demanda por territórios no leste ucraniano –, enquanto Kiev se recusou a abrir mão de qualquer pedaço de terra que ainda controle.
Na semana passada, porém, o principal assessor presidencial da Ucrânia, Kyrylo Budanov, afirmou que tratativas envolvendo a Ucrânia, a Rússia e os Estados Unidos poderiam ocorrer “muito em breve”.
Quanto à China, a tecnologia (nomeadamente, a corrida para desenvolver inteligência artificial e os superchips que a alimentam) é a questão mais crítica para as conversas entre Trump e Xi. Os dois também estão em processo de negociação de um acordo comercial depois que, no final do ano passado, Pequim e Washington estabeleceram uma trégua na guerra tarifária que travam, com poder de abalar o mundo. O pacto provisório, porém, expira em outubro.
Enquanto isso, Putin e Xi têm se aproximado. Depois de anunciarem uma “amizade sem limites” no início de 2022, aprofundaram laços comerciais e militares no contexto da guerra na Ucrânia, pela qual a Rússia tornou-se um pária perante o Ocidente, mas que o líder chinês escolheu encarar com “neutralidade”. Além de terem mantido uma bilateral às margens da cúpula da Organização para Cooperação de Xangai, nesta terça-feira, os dois devem voltar a se ver no encontro do BRICS, que será realizado em Nova Délhi nos dias 12 e 13 de setembro, embora Pequim ainda não tenha confirmado a participação de Xi.
O que acontecerá se os três se juntarem na mesma sala? Todo mundo, decerto, daria tudo para ser uma mosquinha na parede.







