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Por que os EUA permitiram que navio russo levasse petróleo a Cuba

Ilha caribenha está imersa em crise econômica e humanitária agravada pelo bloqueio à importação de combustíveis

Por Luiza Zubelli 30 mar 2026, 18h56 | Atualizado em 30 mar 2026, 19h44
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‌A Rússia disse nesta segunda-feira, 30, que o petroleiro russo Anatoly Kolodkin, transportando 100 mil toneladas de petróleo bruto, chegou a Cuba, imersa em uma crise econômica e humanitária agravada pelo bloqueio à importação do combustível imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A entrada do petroleiro na ilha caribenha é a primeira desde janeiro. A permissão para que o navio atracasse foi tomada com base em um “gesto humanitário”, mas não significa que os EUA tenham mudado sua política de bloqueio, afirmou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, nesta segunda-feira.

“Isto não é uma mudança de política. Não houve mudança formal na política de sanções”, explicou Leavitt, afirmando que Washington decidirá “caso a caso” a permissão para que novas embarcações com petróleo bruto, essencial para a economia cubana, possam entrar em portos cubanos.

Após a chegada do navio russo a Cuba, o Kremlin afirmou que continuará trabalhando para enviar mais petróleo a Havana, acrescentando que considera “um dever” ajudar neste momento.  De acordo com dados de monitoramento marítimo da empresa Kpler, a embarcação Anatoly Kolodkin deixou o porto de Primorsk, na Rússia, em 8 de março com cerca de 730 mil barris de petróleo.

Não está claro por que os Estados Unidos permitiram um carregamento russo enquanto países como o México foram impedidos de enviar petroleiros depois que Trump ameaçou impor tarifas.

O carregamento pode sinalizar que os Estados Unidos não querem causar ainda mais sofrimento ao povo cubano, disseram especialistas ouvidos pelo New York Times, que também ressaltaram que a campanha de pressão contra Cuba provavelmente foi deixada de lado pela guerra no Irã.

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“A sociedade e a infraestrutura cubanas estão tão debilitadas neste momento que existe um risco real de um colapso total, o que não seria do interesse de ninguém”, disse Pedro A. Freyre, presidente da área de prática internacional da Akerman, uma firma de advocacia em Miami, e especialista em política EUA-Cuba.

Crise energética

Sem receber mais os carregamentos de petróleo que importava da Venezuela — interrompidos após a captura de Nicolás Maduro pelo governo americano em janeiro —, Cuba atravessa um de seus momentos mais vulneráveis. Nos últimos meses, o país enfrentou uma série de apagões, deixando mais de 10 milhões de pessoas sem energia elétrica e afetando serviços essenciais, como hospitais e escolas.

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Na última sexta-feira, Trump intensificou suas ameaças contra a ilha, afirmando que “Cuba é o próximo” alvo durante um discurso em um fórum de investimentos em Miami, no qual exaltou os sucessos das ações militares dos Estados Unidos na Venezuela e no Irã.
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“Eu construí esse grande Exército. Eu disse: ‘Você nunca terá que usá-lo’. Mas, às vezes, é preciso usá-lo. E, a propósito, Cuba é a próxima”, afirmou o republicano durante o evento, sem dar mais detalhes, mas reforçando sua escalada retórica.

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, por sua vez, já havia afirmado anteriormente que qualquer tentativa americana de tomar o país enfrentaria uma “resistência inabalável”.

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