Premiê do Líbano exige que Irã pare de usar país como ‘moeda de troca’ em tratativas com EUA
Entre as demandas de Teerã, está o fim da guerra em todas as frentes — o que inclui o Líbano, alvo de ataques recentes de Israel contra a milícia Hezbollah
O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, instou nesta sexta-feira, 5, o Irã a parar de usar o país como “moeda de troca” nas negociações de um acordo com os Estados Unidos. Entre as demandas de Teerã, está o fim da guerra em todas as frentes — o que inclui o Líbano, alvo de ataques recentes de Israel contra a milícia Hezbollah. Na semana passada, o regime iraniano chegou a ameaçar abandonar as tratativas pela intensificação das operações no território libanês, especialmente no já devastado sul do país.
“Se me permitem dirigir algumas palavras ao Irã, é o seguinte: tenham misericórdia do nosso sul, parem de tratá-lo e ao seu povo como mera moeda de troca para melhorar os termos das suas negociações”, disse Salam em uma coletiva sobre um apelo da ONU por ajuda a Beirute.
Para além do encerramento das hostilidades, o Irã exige suspensão de sanções, a liberação de fundos congelados e o fim do bloqueio marítimo americano ao país. Os termos incluem, ainda, reparações por danos causados pela guerra e a retirada das forças americanas de áreas próximas ao território iraniano.
O Líbano foi arrastado para a guerra que abala o Oriente Médio, virando uma de suas múltiplas frentes, depois de o Hezbollah abrir fogo contra Israel em 2 de março numa retaliação à morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei. Em meio à escalada das tensões, as Nações Unidas anunciaram nesta sexta que o valor de ajuda humanitária ao país será dobrado.
“Nos últimos três meses, comunidades em todo o Líbano enfrentaram uma situação terrível devido à escalada das hostilidades”, disse Imran Riza, Coordenador Residente e Humanitário da ONU. “O número de vítimas civis é alarmante e piora a cada dia.”
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Situação no Líbano
Mais de 3.500 pessoas foram mortas no Líbano desde a nova eclosão do conflito. Um em cada quatro libaneses devem enfrentar emergência de insegurança alimentar até agosto, segundo dados da ONU. Um novo apelo de ajuda será lançado, então, pelas organização junto ao governo libanês para arrecadar mais US$ 331,5 milhões (mais de R$ 1,6 bilhão) e alcançar 1,4 milhão de pessoas, de forma a subir o montante total para US$ 639,9 milhões (cerca de R$ 3,2 bilhões).
O Ministério da Saúde do Líbano afirmou que três hospitais no sul foram atingidos por bombardeios das Forças de Defesa de Israel (FDI) em menos de uma semana. De acordo com Beirute, os ataques resultaram na morte de nove pessoas e deixaram outras 150 feridas, com a grande maioria das vítimas sendo profissionais de saúde.
Na quinta-feira 4, horas depois do anúncio de um cessar-fogo entre os dois países, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, anunciou que militares continuarão suas operações terrestres no sul do Líbano. Segundo Katz, as FDI não se retirarão da região, incluindo do Castelo de Beaufort – uma posição estratégica que foi ocupada pelas forças israelenses no fim de semana. O ministro disse ainda que as centenas de milhares de pessoas deslocadas não poderão retornar às suas casas.






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