‘Prepare-se para ser abordado’: EUA divulgam áudio de bloqueio naval no Estreito de Ormuz
Forças Armadas americanas afirmam que nove navios foram obrigados a dar meia-volta, após Trump impor o próprio cerco na nevrálgica rota marítima
O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), unidade do Pentágono responsável pela região do Oriente Médio, divulgou nesta quarta-feira, 15, gravações vindas de navios de guerra americanos que apoiam o bloqueio naval imposto por Donald Trump no Estreito de Ormuz.
O áudio mostra soldados americanos dando ordem para embarcações “darem meia-volta” e para se prepararem para ser “abordadas”. “Se não cumprir este bloqueio, usaremos a força”, alertam os militares.
U.S. naval vessels are on patrol in the Gulf of Oman as CENTCOM continues to execute a U.S. blockade on ships entering and departing Iranian ports. U.S. forces are present, vigilant, and ready to ensure compliance. pic.twitter.com/dnHR2oz0ZN
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Crucial rota marítima por onde transitam cerca de 20% do petróleo e gás consumidos pelo mundo, Ormuz foi efetivamente fechado pelo Irã desde o início da guerra, como retaliação aos ataques que sofreu dos Estados Unidos e Israel. Durante o conflito, o fluxo no estreito despencou de 130 para seis navios por dia.
A passagem deveria ser aberta mediante uma trégua acordada em 8 de abril, que vigora até a próxima terça-feira, 21, mas permaneceu trancada devido a um desacordo sobre os termos (em especial, a continuidade dos bombardeios israelenses contra o Líbano, uma das múltiplas frentes do conflito).
A primeira rodada de negociações durante o cessar-fogo, no último sábado, terminou sem acordo, levando o presidente Trump a anunciar o seu próprio bloqueio naval na região. A divulgação dos áudios pelo Centcom acontece dois dias após começar o cerco, que passou a barrar navios do Irã e quaisquer embarcações saindo ou chegando a portos do país, despachando 10 mil militares, quinze navios de guerra e dezenas de aviões e helicópteros para fiscalizar uma área que engloba o Golfo de Omã e o Mar Arábico (o Estreito de Ormuz conecta essas águas ao Golfo Pérsico, lar das monarquias árabes petrolíferas).
Estratégia arriscada
Com a medida, os Estados Unidos pretendem pressionar o setor de petróleo iraniano, pilar de sua economia, e encerrar os pagamentos do chamado “pedágio de Teerã”, que por cerca de US$ 2 milhões tem permitido navios seletos atravessarem a nevrálgica rota marítima.
Mesmo em guerra, a República Islâmica manteve sua média de exportações de petróleo (cerca de 1,6 milhão de barris diários), mas com preços mais altos: em março, arrecadou US$ 140 milhões por dia, salto de 20% em relação ao mês anterior. Com a barreira, porém, a nação persa pode ser obrigada a reduzir a produção já em maio, segundo a analista Vortexa, embora outras estimativas apontem que só haverá efeito depois de três meses.
Mais cedo nesta quarta, o Centcom também informou que nove embarcações tiveram que dar meia-volta e retornar a um porto ou a uma área costeira do Irã durante as primeiras 48 horas do bloqueio que começou na segunda 13. Apesar disso, o regime iraniano afirmou que está utilizando portos alternativos para contornar a Marinha americana e que, nesta quarta, dois de seus navios conseguiram furar a barreira e atravessar Ormuz.
Teerã considera retomar ataques contra petroleiros de países como o Iraque, hoje autorizados a transitar mediante o tal pedágio. A Guarda Revolucionária Islâmica também ameaçou retaliar o que chama de “ato de pirataria” mirando portos da região e outras rotas, como o Mar Vermelho.
Negociações
Apesar das tensões em alto mar, a Casa Branca anunciou nesta quarta-feira que há conversas sobre a realização de uma segunda rodada de negociações de paz com o Irã no Paquistão, mediador das tratativas e responsável por costurar a interrupção temporária das hostilidades, expressando otimismo quanto a possibilidade de um acordo.
“Essas discussões estão em andamento” e “estamos confiantes quanto às perspectivas de um acordo”, disse a secretária de imprensa Karoline Leavitt a jornalistas, acrescentando que novas negociações “muito provavelmente” ocorrerão em Islamabad, capital paquistanesa.
De acordo com a agência de notícias Bloomberg, autoridades americanas e iranianas consideram ainda a possibilidade de estender a trégua por mais duas semanas, ganhando mais tempo para tratar dos principais obstáculos no caminho para uma paz duradoura.







