Primeiros navios atravessam Estreito de Ormuz após cessar-fogo
Irã concordou em reabrir a nevrálgica rota marítima, cujo estrangulamento usou como arma durante mais de um mês de guerra
Dois navios atravessaram o Estreito de Ormuz, informou o serviço de monitoramento MarineTraffic nesta quarta-feira, 8, após Irã e Estados Unidos anunciarem um cessar-fogo que incluiu a reabertura da rota marítima que é fundamental para o transporte de petróleo.
“O navio graneleiro NJ Earth, de propriedade grega, cruzou o Estreito às 08h44 UTC (5h44 em Brasília), enquanto o Daytona Beach, com bandeira da Libéria, fez a travessia mais cedo, às 06h59 UTC (3h59 em Brasília), pouco depois de partir de Bandar Abbas às 05h28 UTC (2h28 em Brasília)”, informou a MarineTraffic no X (ex-Twitter).
Os Estados Unidos e o Irã concordaram, na madrugada de terça para quarta-feira, com um cessar-fogo de duas semanas, durante o qual a passagem pelo Estreito de Ormuz “será possível mediante coordenação com as Forças Armadas do Irã”, disse o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi.
“A passagem do NJ Earth pode ser um sinal inicial de recuperação, mas ainda é cedo para dizer se isso faz parte de uma reabertura mais ampla ligada ao cessar-fogo ou se a autorização foi concedida previamente”, disse Ana Subasic, analista da Kpler, proprietária da MarineTraffic, à agência de notícias AFP.
O navio manteve seu transponder ativo enquanto navegava próximo à Ilha Larak, apelidada de “Pedágio de Teerã” pela principal publicação marítima, Lloyd’s List. A AFP não conseguiu confirmar o destino imediatamente. “Embora esperemos mais travessias nos próximos dias, esta primeira passagem deve ser interpretada com cautela”, enfatizou a analista.
Segundo a Lloyd’s List, mais de 800 navios estão atualmente encalhados no Golfo Pérsico, mas armadores e afretadores informaram na manhã desta quarta que os preparativos estavam em andamento para que suas embarcações voltassem a navegar.
Por sua vez, a Organização Marítima Internacional (OMI), agência das Nações Unidas responsável pela segurança marítima, declarou nesta quarta que estava trabalhando em um mecanismo para garantir a “segurança do trânsito” por Ormuz, que está praticamente paralisado desde o início da guerra no Oriente Médio.
“Já estou trabalhando com as partes envolvidas para estabelecer um mecanismo adequado para garantir a passagem segura de navios pelo Estreito de Ormuz”, disse o secretário-geral da OMI, Arsenio Antonio Domínguez Velasco, em um comunicado enviado à AFP. “A prioridade agora é garantir uma evacuação que assegure a segurança da navegação”, acrescentou.






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