Príncipe Harry diz querer reconciliação com William e rei Charles
Entrevista publicada pela revista GQ dá detalhes da relação conturbada dentro da realeza britânica
O príncipe Harry afirmou, em uma entrevista à revista GQ em Nova York, nos Estados Unidos, que deseja se reconciliar com seu pai, o rei Charles III, e seu irmão, o príncipe William. A entrevista, realizada no mês passado, foi publicada nesta terça-feira, 20, enquanto a família real recebia o sultão de Omã no Castelo de Windsor para uma visita de Estado.
Sobre seu relacionamento complicado William e Charles, o duque de Sussex disse que, de uma perspectiva familiar, era uma questão “extremamente fácil de se identificar para muitas pessoas” e por isso o público teria tanto interesse na questão.
“Há desentendimentos entre irmãos, há relações rompidas entre filhos e pais, filhos e um dos pais”, disse ele. “Essa questão continua surgindo o tempo todo nas conversas com as pessoas, então sei o quanto elas se identificam com isso”.
Durante a entrevista, Harry disse entender o porquê do público ter tanto fascínio pelos conflitos familiares da realeza. “As pessoas talvez olhem para nós e pensem: ‘Como vocês vão resolver isso?’ E depois: ‘Talvez a maneira como vocês vão resolver isso me ajude a resolver as minhas coisas’”, explicou.
Ele reforçou que quer que os conflitos entre eles se resolvam. “Eu quero que dê certo. Com tudo o que está acontecendo no mundo, o mais importante é a reconciliação. Esse é o ponto crucial”. Questionado se achava que poderia curar “essa ferida”, Harry disse: “Sim, claro… veja bem, as cicatrizes ficam para sempre, mas… certamente deixar o passado para trás é algo que eu encorajaria todos a fazerem”.
Um porta-voz da família real esclareceu posteriormente que os comentários de Harry não tinham a intenção de ser uma crítica ao príncipe William ou dirigidos a qualquer membro da realeza, mas foram feitos em um contexto geral.
Harry e a esposa, Meghan Markle, deixaram as funções oficiais da monarquia no início de 2020 e se mudaram para os Estados Unidos, onde passaram a viver com os filhos, o príncipe Archie, de 7 anos, e a princesa Lilibet, de 5. A família retornou à Inglaterra em agosto, após seis anos no exterior. Na chegada ao Reino Unido, o casal se instalou em uma residência privada nos Cotswolds, sem abrir mão da casa em Montecito, na Califórnia.
Em setembro, uma carta autorizada pelo rei Charles III e enviada a autoridades britânicas reafirmou que Harry e Meghan permanecem como membros não atuantes da família real. O casal não está autorizado a usar o tratamento de “Suas Altezas Reais” nem a representar oficialmente a monarquia. A comunicação reiterou os termos do acordo firmado em 2020, quando os dois deixaram as funções reais.
A relação com a família real se deteriorou nos anos seguintes à saída. Harry e Meghan fizeram críticas públicas à instituição, incluindo acusações de racismo e relatos de conflitos internos. As declarações apareceram no documentário Harry & Meghan, da Netflix, e no livro de memórias do príncipe, O que sobra (Spare, no título original). O príncipe também mantém uma relação distante com o irmão, William, herdeiro do trono.
A segurança permanece como um dos principais pontos de tensão. Desde que deixou de exercer funções oficiais, Harry perdeu o direito automático à proteção policial permanente custeada pelo Estado britânico. Ele contestou a decisão na Justiça, mas não conseguiu reverter a medida. Com o retorno da família, as autoridades passaram a reavaliar as condições de segurança do casal, enquanto preocupações com o deslocamento dos filhos levaram a mudanças na rotina escolar das crianças.






