Quênia confirma primeiro caso de ebola e morte de paciente vindo da RD do Congo
Homem, que morava na República Democrática do Congo há sete anos, estava doente há cerca de um mês
O Quênia registrou o primeiro caso e morte de um paciente por ebola na segunda-feira 5. O homem, que morava na República Democrática do Congo há sete anos, estava doente há cerca de um mês. Ele viajou por terra do Congo para Kampala, capital da Uganda, onde passou pela triagem de saúde no aeroporto e pegou um voo em direção a Nairóbi, no Quênia. Segundo o diretor-geral do Ministério da Saúde, Patrick Amoth, os medicamentos podem ter mascarado os seus sintomas, de forma a permitir que passasse pela avaliação médica.
O homem foi levado ao Hospital de Nairóbi por um parente. Ele estava foi internado com febre, calafrios e sangramento sob a pele, sendo rapidamente isolado. “Com base nos sintomas e no histórico de viagens, os médicos suspeitaram de febre hemorrágica viral e coletaram amostras para análise”, informou o ministro da Saúde do Quênia, Aden Duale.
Os testes confirmaram que ele estava com ebola da cepa Bundibugyo, para qual ainda não há vacina.Essa variante do vírus causou a morte de 4.000 pessoas na República Democrática do Congo neste ano, no que é o segundo surto mais mortal da doença da história do país. Duas pessoas morreram na Uganda, mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o país livre da doença em agosto.
O ebola é transmitido pelo contato direto com fluidos corporais, como sangue ou vômito de infectados, ou com cadáveres, no caso de preparação do corpo para funerais. Desde que o vírus foi identificado em 1976, o Congo já enfrentou 16 surtos da doença — no geral, da cepa Zaire do Ebola, que tem vacinas disponíveis. O surto de 2014-2016 na África Ocidental deixou 11 mil mortos. As amostras testadas desta vez, no entanto, são da cepa Bundibugyo, ainda sem imunizante licenciado, o que torna o panorama ainda mais preocupante.
“A República Democrática do Congo frequentemente registra mortes por Ebola. Provavelmente, há uma combinação perfeita de fatores que causam esses surtos regulares”, afirmou Michael Head, pesquisador sênior em saúde global na Universidade de Southampton, ao jornal britânico The Guardian em maio.
“O contato humano próximo com reservatórios animais, muito provavelmente morcegos, mas possivelmente também primatas, é um fator. Outras preocupações incluem a movimentação de pessoas entre ambientes rurais e urbanos, o clima tropical e a alta cobertura de floresta tropical”, acrescentou ele.






