Relação de Moraes e Vorcaro vira destaque na imprensa internacional
Jornais dizem que revelação das mensagens entre o banqueiro e o ministro do STF 'abalou a política brasileira' como um 'terremoto' e até 'bomba atômica'
A relação de proximidade excessiva entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que já vinha chacoalhando as estruturas de Brasília, ganhou agora uma incômoda dimensão global. O impacto das revelações sobre as trocas de mensagens entre o juiz mais poderoso do país e o dono do Banco Master não demorou a cruzar as fronteiras brasileiras, provocando o que jornais e agências estrangeiras classificam como uma autêntica “bomba atômica” e um “terremoto político” sem precedentes para as instituições nacionais.
Lá fora, os holofotes se acenderam com força sobre o Supremo Tribunal Federal (STF). O influente jornal espanhol El País classificou as revelações como um golpe devastador que caiu como uma “bomba atômica” no tabuleiro político brasileiro, especialmente por ocorrer a menos de cinco semanas das eleições presidenciais. O diário relembrou que as suspeitas de promiscuidade entre as duas figuras não nasceram ontem: há meses surgiram os primeiros indícios dessa relação com a descoberta de que o escritório de advocacia da esposa de Moraes havia sido contratado pelo próprio banqueiro.
Diante da gravidade dos fatos, Moraes — internacionalmente conhecido por sua atuação central no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e no inquérito das fake news, que afetou posts contendo desinformação no X com origem nos Estados Unidos — adotou como estratégia o recolhimento e um discreto silêncio. Seguno ressaltou o El País, ele e o ministro André Mendonça, que tornou público o inquérito, “travam uma disputa silenciosa por poder dentro da Corte há meses”.
“Esta eleição (presidencial) terá impacto sobre o Supremo Tribunal, pois o vencedor terá a oportunidade de nomear magistrados para as três vagas que ficarão abertas durante o seu mandato, podendo alterar a maioria — que atualmente favorece Moraes”, destacou o diário espanhol.
O desgaste na imagem do magistrado, contudo, é flagrante. A agência de notícias para o mercado financeiro Bloomberg frisou que os novos vazamentos mergulharam Moraes ainda mais no centro do escândalo do Banco Master, pondo em xeque a imagem do próprio STF. “O caso já havia ameaçado a credibilidade da mais alta corte do Brasil — uma instituição poderosa da qual ele (Moraes) frequentemente tem sido um símbolo”, escreveu a agência.
O abalo serviu de combustível, aliás, para que os opositores ferrenhos do ministro voltassem à carga para renovar os pedidos de seu afastamento do tribunal, os mesmos que acumularam ressentimento durante seus embates barulhentos contra o bilionário Elon Musk, devido às ordens de retirada de posts do X, e contra Bolsonaro. O presidenciável e filho do ex-presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL), já foi a público pedir o impeachment do magistrado após as recentes revelações.
Nos vizinhos sul-americanos, a leitura do cenário é igualmente dramática. Na Argentina, o prestigiado La Nación colocou o juiz brasileiro no epicentro de uma crise sem precedentes, ressaltando as evidências de uma relação inapropriadamente próxima com um ex-banqueiro investigado por fraudes financeiras multimilionárias. Para o diário portenho, o impacto na política brasileira é “sísmico”, colocando o homem que personificou a Suprema Corte do Brasil diante do teste mais difícil de sua carreira contra o seu próprio gabinete.
O portal de notícias argentino Infobae também destacou que “o caso abalou a política brasileira”, acrescentando que as novas informações tiraram Flávio do foco do escrutínio no escândalo Master — ele vem negando acusações de financiamento ilícito do filme Dark Horse, sobre a história de seu pai, ligadas justamente à sua relação com Vorcaro.
“Agora, as revelações decorrentes das decisões do juiz Mendonça mudaram completamente o cenário, voltando as atenções para Moraes — uma figura que muitos percebem como quase um aliado de Lula”, disse a reportagem. Com o STF acuado e o país sob forte tensão pré-eleitoral, o mundo assiste, atônito, aos tremores que ameaçam desestabilizar a República.







