APURAÇÃO DAS ELEIÇÕES 2022

🔥 Mês do Cliente: Receba 4 Revistas Impressas por apenas R$ 35,90/mês. Aproveite!

Suprema Corte dos EUA proíbe programas de cotas raciais em universidades

Decisão histórica reverte 45 anos de precedente e foi capitaneada pela maioria conservadora nos casos contra Harvard e Universidade da Carolina do Norte

Por Amanda Péchy 29 jun 2023, 11h57 | Atualizado em 29 jun 2023, 14h12
Suprema Corte dos EUA proíbe programas de cotas raciais em universidades Priorize VEJA no Google

A Suprema Corte dos Estados Unidos, impulsionada por sua maioria conservadora, vetou nesta quinta-feira, 29, os programas de cotas raciais para ingresso no ensino superior no país. A política de ação afirmativa, como é conhecida, existia com base em um precedente do próprio tribunal, de 45 anos atrás – um filme que parece muito com a reversão da proteção constitucional americana ao aborto, no ano passado.

Os juízes conservadores, que dominam a corte por 6 contra 3, concluíram que as políticas de admissão da Universidade de Harvard e da Universidade da Carolina do Norte, que usam critérios raciais para dar uma espécie de “incentivo” a candidatos negros (diferente das cotas numéricas brasileiras), são discriminatórias contra asiático-americanos e violam a cláusula de proteção igualitária da Constituição dos Estados Unidos.

Os casos no tribunal superior são produto da campanha longeva de Edward Blum, ex-corretor da bolsa que virou estrategista jurídico conservador, para coibir o uso de políticas de “consciência racial” em toda e qualquer circunstância. Sua organização, Students for Fair Admissions (SFFA), representa 20 mil estudantes que acusam os programas de ação afirmativa de Harvard e da UNC – as faculdades privada e pública mais antigas do país, respectivamente – de prejudicar candidatos asiáticos.

As faculdades processadas reiteram que, de acordo com o parecer anterior da Suprema Corte, os campi se beneficiam de um corpo estudantil diversificado, então a prática se justifica – argumento apoiado também por análise de David Card, economista ganhador do prêmio Nobel.

Continua após a publicidade

O efeito da reversão seria quase imediato, segundo Harvard. Após sua parcela de estudantes negros mais que triplicar nos 45 anos de ação afirmativa, ignorar a raça no próximo processo de admissão reduziria as matrículas desse grupo em 8%. A de estudantes hispânicos deve cair 5%.

O veredicto do caso Universidade da Califórnia v. Bakke foi responsável por solidificar o ingresso de negros no ensino superior americano por meio de ação afirmativa. O parecer foi contestado duas vezes no tribunal superior, mas se sustentou com base no precedente – e no parecer de juízes moderados. Com a guinada no equilíbrio da Corte, a história foi outra.

Continua após a publicidade

Os juízes conservadores são todos céticos, se não abertamente hostis, ao uso de critérios raciais no processo avaliatório das faculdades. Na sua interpretação, a ação afirmativa em universidades vai contra a 14ª emenda da Constituição, sobre “igual proteção dos cidadãos sob as leis”, e a Lei dos Direitos Civis de 1964, que proíbe discriminação por raça, cor, religião, sexo e nacionalidade.

Defensores da ação afirmativa temem que o progresso feito a duras penas em direção à igualdade racial nas últimas décadas seja, com o parecer, revertido. 

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em verde-limão O MÊS É DO CLIENTE. e em branco A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua.. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos, e ao lado, uma árvore estilizada em verde-limãoMão segurando um smartphone com aplicativo de notícias exibindo manchetes e produtos, ao lado do texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua em fundo verde-escuro, com um ícone de árvore no canto superior direito
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Básico

O mercado não espera — e você também não pode!
Com a Veja Negócios Digital, você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 76% OFF

Digital Básico

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 5,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).