Torre Eiffel reabre após greve de funcionários contra exclusão de mulheres
Funcionárias foram orientadas a deixar seus postos de trabalho após uma solicitação do movimento Bochasanwasi Akshar Purushottam Swaminarayan Sanstha
A Torre Eiffel reabriu na manhã desta terça-feira, 8, após uma greve de funcionários na véspera motivada pela exclusão das mulheres da equipe durante a visita de uma delegação religiosa hindu ao célebre monumento parisiense.
A empresa responsável pela gestão da torre, a Société d’Exploitation de la Tour Eiffel (SETE), reconheceu que a delegação havia solicitado que a visita limitasse as “interações com as mulheres” e admitiu que não deveria ter aceitado o pedido.
“Enquanto a delegação passava, as mulheres foram solicitadas a deixar seus postos de trabalho para que os homens pudessem ocupar seus lugares”, disse Diane Davoine, representante sindical, à agência de notícias Reuters.
O episódio gerou revolta entre os funcionários, que realizaram uma reunião e decidiram entrar em greve, segundo representantes sindicais. Na segunda-feira, placas na base da torre exibiam a seguinte mensagem: “A abertura da Torre Eiffel está atrasada por motivos operacionais”.
“As tensões aumentaram no fim de semana, então, nesta manhã, os funcionários decidiram se reunir: primeiro, para iniciar um diálogo com a administração e, segundo, para garantir que as mulheres nunca mais sejam tratadas dessa forma na empresa”, disse Davoine.
A delegação de turistas, composta por cerca de 100 pessoas, estava ligada ao movimento espiritual hindu Bochasanwasi Akshar Purushottam Swaminarayan Sanstha (BAPS), que posteriormente pediu desculpas “a qualquer pessoa que possa ter se sentido ofendida ou incomodada por esta situação”, mas relativizou as críticas. “Em nenhum momento foi negado o acesso à Torre Eiffel a alguém”, escreveu o movimento no X (ex-Twitter).
O caso ocorre após o movimento inaugurar no domingo, 6, seu primeiro grande templo na França, localizado em Bussy-Saint-Georges, a 30 km a leste de Paris.
O prefeito de Paris, Emmanuel Grégoire, afirmou que uma investigação sobre o caso seria iniciada “o mais rápido possível”, acrescentando que a insatisfação dos funcionários com o episódio era legítima. “É urgente que se esclareçam todos os fatos que levaram a esse protesto”, escreveu ele nas redes sociais.
A presidente da Assembleia Nacional da França, Yaël Braun-Pivet, também condenou a exclusão das funcionárias, afirmando que a recepção de visitantes estrangeiros não poderia levar a França a renunciar ao princípio da igualdade de gênero.






