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Trump choca ao dizer que pode falar com líder de Taiwan, em quebra de norma diplomática

Pequim acusa presidente americano de ignorar entendimentos com Xi Jinping; Desde 1979, EUA não têm laços com a ilha que China considera seu território

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 21 Maio 2026, 09h02
Trump choca ao dizer que pode falar com líder de Taiwan, em quebra de norma diplomática Priorizar nos meus resultados Google

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, levantou na quarta-feira 20 a possibilidade de conversar com o presidente de Taiwan, Lai Ching-te, algo inédito e uma grande quebra de normas diplomáticas. Os chefes de governo americano e taiwanês não conversam diretamente desde 1979, quando Washington deixou de reconhecer a ilha (capitalista) como a China e transferiu o status formal diplomático para Pequim (comunista).

“Vou falar com ele. Eu falo com todo mundo”, disse Trump a repórteres na Base Aérea Conjunta Andrews, em Maryland, quando questionado se conversaria com Lai antes de decidir se aprova ou não a venda de armas para a ilha, já chancelada pelo Congresso. “Essa situação está muito bem controlada. Vamos trabalhar nisso, na questão de Taiwan”, acrescentou ele, antes de embarcar no Air Force One.

Não está claro se o governo americano avançou com algum plano para o telefonema com o líder da ilha democrática, que Pequim reivindica como parte de seu território e prometeu reunificar, inclusive pela força se considerar necessário.

A sugestão pouco ortodoxa sobre uma conversa com o presidente taiwanês veio dias depois de Trump retornar de Pequim, onde manteve uma cúpula de dois dias com Xi Jinping. Durante visita, o líder chinês fez um alerta direto de que, caso a questão de Taiwan fosse “mal administrada”, poderia haver “confrontos e até conflitos” entre a China e os Estados Unidos.

Durante a cúpula, uma das demandas chinesas foi relacionada à redução do apoio americano a Taiwan, inclusive as vendas de armas. A ilha depende em grande medida do apoio de Washington para dissuadir qualquer possível ataque chinês e enfrenta uma forte pressão para aumentar seus gastos por meio de investimentos em empresas americanas.

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Reações em Taiwan e na China

Nesta quinta-feira, 21, Lai declarou que ficaria “feliz” em conversar com Trump. Ele disse que a ilha está comprometida “em manter o ‘status quo’ estável no Estreito de Taiwan” e que “a China é quem perturba a paz e a estabilidade”, indicou o Ministério das Relações Exteriores em um comunicado.

Lai ficaria “feliz em discutir as questões com o presidente Trump”, acrescentou a nota.

Esta foi a segunda vez, desde a reunião cúpula realizada na capital chinesa na semana passada com seu homólogo chinês, que o republicano afirmou que pretende ligar para o líder taiwanês. Se a conversa acontecer, será o primeiro diálogo direto entre os presidentes em exercício de Taiwan e dos Estados Unidos desde que Washington transferiu suas relações diplomáticas de Taipé para Pequim em 1979.

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O Ministério das Relações Exteriores da China, por sua vez, afirmou nesta quinta que “se opõe com veemência aos contatos oficiais” entre Estados Unidos e Taiwan, assim como à venda de armas americanas à ilha.

“A China insta os Estados Unidos a aplicarem o importante consenso alcançado durante a reunião entre os chefes de Estado chinês e americano”, declarou à imprensa um porta-voz do ministério, Guo Jiakun, antes de acrescentar que Washington deveria “parar de enviar sinais equivocados” a Taiwan.

Após concluir a viagem oficial à China, Trump sugeriu que a venda de armas a Taiwan poderia ser usada como moeda de troca com Pequim, que reivindica a ilha como parte de seu território e já ameaçou tomar o controle do território com o uso da força. Já o governo Lai insiste que a política americana em relação a Taiwan não mudou e que o presidente dos Estados Unidos não assumiu qualquer compromisso com a China sobre a venda de armas à ilha.

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