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Trump demite Pam Bondi, procuradora-geral dos EUA

Presidente americano teria se frustrado com caos na gestão do caso Jeffrey Epstein e lentidão do Departamento de Justiça em processar rivais

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 2 abr 2026, 14h27 | Atualizado em 2 abr 2026, 15h37

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, demitiu a procuradora-geral Pam Bondi nesta quinta-feira, 2, após crescente frustração com seu desempenho, incluindo a supervisão da divulgação dos documentos relacionados ao caso Jeffrey Epstein.

“Pam Bondi é uma grande patriota americana e uma amiga leal, que serviu fielmente como minha procuradora-geral durante o último ano. Amamos Pam, e ela fará a transição para um novo emprego muito necessário e importante no setor privado, cuja data será anunciada em breve”, escreveu o líder americano em sua rede, a Truth Social.

Ele acrescentou que a procuradora-geral “fez um trabalho excepcional supervisionando uma repressão massiva ao crime em todo o país”, e confirmou que o procurador-geral adjunto, Todd Blanche, assumirá seu cargo de forma interina.

De acordo com uma autoridade ouvida pela agência de notícias Reuters, além da irritação com o drama em torno do caso Epstein, Trump também estaria frustrado com a lentidão de Bondi em abrir processos criminais contra seus críticos e rivais.

Rusga com aliada

Durante os catorze meses à frente do Departamento de Justiça americano, como autoridade máxima de segurança no país, a republicana foi uma defensora voraz da agenda trumpista, colocando em questão a histórica independência do órgão federal em relação à Casa Branca com suas investigações.

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No entanto, a lealdade ficou em segundo plano devido às sucessivas críticas, inclusive por parte da base MAGA, dos mais aguerridos apoiadores do presidente, devido ao modo como conduziu o processo para divulgar milhões de arquivos secretos relacionados à investigação do financista condenado por criar uma rede de exploração sexual de mulheres — muitas vezes menores de idade — e de outros homens poderosos em seu círculo de amizades.

Bondi foi acusada ora de acobertar informações que esconderiam o envolvimento de certas figuras na teia de Epstein, ora de organizar mal a publicação dos arquivos pelo Departamento de Justiça (uma promessa antiga de Trump), o que levou à exposição do nome de vítimas em meio aos milhões de fotos, depoimentos judiciais e e-mails que vieram à tona. 

A questão virou dor de cabeça para Trump, principalmente por provocar escrutínio renovado de sua antiga amizade com Epstein, que ele afirmou ter terminado décadas atrás.

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Apesar do presidente americano ter defendido a publicação dos documentos relacionados a Epstein, alimentando por anos a versão não comprovada de que membros do Partido Democrata estavam implicados até o pescoço com o financista, Bondi se atrapalhou com o cronograma de divulgação, foi considerada insensível com as vítimas e, por vezes, voltou atrás, contradizendo a narrativa do presidente ao negar haver uma tal “lista de clientes” do criminoso sexual. Chegou a anunciar em julho passado que “o caso estava encerrado”, o que deixaria de justificar a revelação de novas levas de documentos.

A medida provocou uma onda de críticas e, eventualmente, uma lei bipartidária aprovada em novembro, exigindo que o Departamento de Justiça soltasse quase todos os seus arquivos: 3 milhões de páginas. Não acalmou a controvérsia — pelo contrário, legisladores criticaram as seções omitidas nos materiais e a publicação das identidades de algumas vítimas de Epstein.

Durante uma audiência combativa perante um painel da Câmara dos Deputados em janeiro, ela atacou legisladores e se recusou a pedir desculpas para as mulheres que sofreram nas mãos do agressor. O Comitê de Supervisão da Câmara, liderado pelos republicanos, votou pela intimação de Bondi, e ela deveria prestar depoimento em 14 de abril.

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Reconfiguração do governo

A demissão de Bondi pode levar a uma reformulação na estratégia do Departamento de Justiça e, potencialmente, a uma nova investidado sistema jurídico dos Estados Unidos contra os alvos de Trump.

A procuradora-geral foi a segunda funcionária de alto escalão a ser excluída do governo recentemente. No início de março, a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, perdeu o emprego após semanas de pressão política e desgaste público envolvendo a condução da política migratória do governo. A “Barbie do ICE” vinha sendo alvo de críticas tanto de democratas quanto de republicanos no Congresso, especialmente após audiências recentes em que parlamentares questionaram sua liderança e operações da polícia de imigração, que levaram à morte de dois cidadãos americanos.

Depois de passar anos à frente da procuradoria-geral da Flórida, Bondi chegou ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos prometendo restaurar o foco da agência em crimes violentos e afastar a memória das acusações criminais contra Trump, causando polêmica ao remover dezenas de procuradores de carreira que trabalharam em investigações sobre o republicano.

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