Trump diz que segue insatisfeito com acordo e ameaça retomar ataques contra Irã
Republicano disse que o regime iraniano está 'muito empenhado', embora tenha fracassado em atender às exigências americanas até o momento
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira, 27, que ainda não está satisfeito com os termos de um possível acordo com o Irã. Em uma reunião de gabinete na Casa Branca, o republicano disse que o regime iraniano está “muito empenhado” e deseja “muito chegar a um acordo”, embora tenha fracassado em atender às exigências americanas até o momento. Ele também voltou a ameaçar Teerã caso as negociações sejam malsucedidas.
“O Irã está muito empenhado, eles querem muito chegar a um acordo. Até agora, eles não conseguiram… não estamos satisfeitos com isso, mas ficaremos. Ou ficaremos, ou teremos que terminar o trabalho”, advertiu Trump.
Além disso, o ocupante do Salão Oval apontou que, segundo um possível acordo-quadro, o Estreito de Ormuz seria reaberto imediatamente. A rota vital para o comércio internacional de petróleo está bloqueada pelo Irã desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel lançaram ataques conjuntos ao país. Um rascunho das bases do acordo propõe que a navegação pela passagem será gerenciada pelo Irã e por Omã, informou a emissora estatal iraniana nesta quarta. A ideia foi rejeitada por Trump na reunião.
“Vamos ficar de olho, mas ninguém vai controlar. Isso faz parte da negociação. Eles gostariam de controlar. Ninguém vai controlar. São águas internacionais e Omã vai se comportar como qualquer outro país, ou teremos que explodi-los”, disse ele.
Mais cedo, o governo americano rejeitou as informações do veículo iraniano, que também havia indicado que a minuta incluía a restauração do tráfego pelo Estreito de Ormuz para os níveis pré-guerra dentro de um mês e a retirada das forças americanas das proximidades do Irã. No X, antigo Twitter, a Casa Branca afirmou que a “reportagem da mídia controlada pelo Irã não é verdadeira e o memorando de entendimento que eles ‘divulgaram’ é uma completa invenção”.
“Ninguém deve acreditar no que a mídia estatal iraniana está divulgando. OS FATOS IMPORTAM”, acrescentou a publicação, com letras maiúsculas como o presidente Donald Trump costuma usar.
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Tensão em alta
As negociações ocorrem em meio a uma nova escalada das tensões no conflito. Na segunda-feira 25, o Comando Central dos EUA (Centcom, na sigla em inglês) anunciou que “as forças americanas realizaram ataques de autodefesa no sul do Irã” para proteger suas “tropas das ameaças representadas pelas forças iranianas”. O comunicado não deu detalhes sobre os ataques e informou apenas que os alvos incluíam locais de lançamento de mísseis e barcos que tentavam “instalar minas”.
Em paralelo, a Guarda Revolucionária Islâmica informou que abateu um drone MQ9 Reaper que invadiu o espaço aéreo iraniano. Além disso, afirmou ter disparado contra caça F-35 e um drone de coleta de informações RQ4. O exército ideológico do Irã alertou “contra qualquer violação do cessar-fogo por parte das forças armadas agressivas dos EUA e considera legítimo e certo o seu direito a uma resposta recíproca”.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã também reiterou a violação do cessar-fogo na região de Hormozgan e condenou os “repetidos assédios navais contra navios comerciais iranianos”, acrescentando: “A República Islâmica do Irã não deixará nenhum ato de agressão sem resposta e não hesitará em defender o povo iraniano com a menor demora”. A imprensa estatal iraniana também relatou explosões na cidade portuária de Bandar Abbas, perto do Estreito de Ormuz.







