Trump pode virar rosto de nova nota de US$ 250 nos EUA
Proposta quebraria tradição histórica americana ao permitir que presidente ainda vivo apareça em cédula oficial
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, poderá se tornar o rosto de uma nova nota de 250 dólares, em uma proposta que desafia mais de 150 anos de tradição americana ao prever a imagem de um presidente ainda vivo em uma cédula oficial. Revelada pelo jornal The Washington Post, a iniciativa é mais um capítulo dos esforços da Casa Branca e de aliados republicanos para associar o nome e a imagem do mandatário a símbolos nacionais e instituições públicas.
A proposta faz referência aos 250 anos da independência dos Estados Unidos, comemorados no próximo 4 de julho, mas já provoca desconforto dentro do próprio governo. Além de possíveis entraves legais, críticos acusam o projeto de reforçar um culto à personalidade em torno do republicano.
O projeto de lei que autorizaria oficialmente a criação da nota foi apresentado ao Congresso no ano passado, mas permanece parado nas comissões legislativas. Procurado pelo jornal americano, um porta-voz do Departamento do Tesouro afirmou que a gráfica responsável pela produção das cédulas “está realizando o planejamento e a devida diligência adequados” em resposta à proposta.
Entre os democratas, a reação foi imediata. O senador Mark Warner, integrante da Comissão Bancária do Senado, classificou a iniciativa como uma tentativa explícita da Casa Branca de “alimentar o ego do presidente”.
Quebra de protocolo
Uma maquete obtida pelo Post mostra a nota comemorativa estampada com um retrato de Trump e a inscrição “America 250 anniversary”, em referência às celebrações do aniversário da independência americana, declarada em 4 de julho de 1776.
Se a ideia sair do papel, será a primeira vez desde o século XIX que uma pessoa viva aparecerá na moeda americana — algo vetado pela legislação federal. Funcionários da Departamento de Gravura e Impressão, órgão responsável pela produção das cédulas nos Estados Unidos, disseram ao Post, sob condição de anonimato, que a proposta gerou preocupação interna justamente por esbarrar nessa proibição.
Segundo a reportagem, a diretora da gráfica oficial, Patricia Solimene, alertou integrantes do governo, incluindo o tesoureiro dos Estados Unidos, Brandon Beach, sobre os obstáculos jurídicos e operacionais envolvidos na mudança. Pouco depois, ela teria sido afastada abruptamente do cargo.
À sua imagem e semelhança
Apesar da resistência, o governo Trump tem ampliado iniciativas para vincular o presidente a marcos institucionais do país. Para opositores, as ações representam uma tentativa de fortalecer a imagem pessoal do republicano de 79 anos dentro da estrutura do Estado americano.
No início deste ano, a Comissão de Belas Artes, formada por integrantes nomeados por Trump, aprovou por unanimidade uma ideia do presidente parar criar a “Moeda de Ouro do Semicentenário”, feita em ouro 24 quilates, em homenagem às comemorações de 2026. Nos últimos meses, outras instituições também passaram por mudanças simbólicas: o Centro John F. Kennedy e o Instituto da Paz dos Estados Unidos foram rebatizados para incluir o nome do atual ocupante do Salão Oval. Além disso, banners com seu rosto passaram a cobrir prédios dos departamentos de Justiça e de Agricultura.
De acordo com o Departamento de Estado, a foto de Trump também deve aparecer futuramente em alguns passaportes americanos.





