Trump rebate Irã e volta a dizer que controla Ormuz: ‘Acho que vamos ficar com o estreito’
Teerã declarou que só reabrirá a estratégica rota marítima quando EUA aceitarem suas exigências, mas presidente insiste que poder iraniano é 'fake news'
O presidente americano, Donald Trump, voltou a afirmar nesta quarta-feira, 12, que os Estados Unidos têm “controle total” sobre o Estreito de Ormuz, rebatendo o Irã após diversas autoridades do país insistirem que só reabrirão a estratégica rota marítima quando Washington aceitar uma lista de exigências.
A passagem por onde transitava, antes da guerra, 20% do petróleo e gás consumidos no planeta está efetivamente bloqueada desde os bombardeios conjuntos de Estados Unidos e Israel que deram início ao conflito no Oriente Médio, em 28 de fevereiro, elevando os preços de combustíveis globalmente. Navios não autorizados por Teerã têm sofrido ataques intermitentes nessas águas.
Em postagem na sua rede, a Truth Social, o ocupante do Salão Oval chamou de “fake news” o poderio iraniano sobre Ormuz, afirmando que a república islâmica “está arruinada”, exaltando o bloqueio naval da Marinha americana contra os portos e embarcações do país e sugerindo que os Estados Unidos tomariam o estreito para si.
“Os Estados Unidos têm controle total sobre o Estreito de Ormuz. ACHO QUE VAMOS FICAR COM ELE! Nosso bloqueio naval está sendo chamado, por todos, de ‘UMA PAREDE DE AÇO’, e não há nada que o Irã possa fazer a respeito”, escreveu Trump.
O líder americano alegou ainda que, após mais de cinco meses de guerra intermitente, o Irã “não tem dinheiro, não tem Marinha, não tem Força Aérea, seus soldados restantes estão sem receber, a Guarda Revolucionária está dizimada e em fuga, sua ‘liderança’ é incerta, na melhor das hipóteses”.
“Tudo o que eles têm são FAKE NEWS e uma INFLAÇÃO de 300%, e a situação só piora! O Irã é só conversa e nenhuma ação; não é mais o valentão do Oriente Médio”, completou Trump, concluindo sua mensagem com “louvado seja Allah”.
Exigências iranianas
Na terça-feira 11, Mohsen Rezaei, recém-empossado secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, reiterou que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado enquanto os Estados Unidos não mudarem sua postura e aceitarem as condições do Irã para o fim da guerra, entre elas a liberação de ativos iranianos congelados no exterior, a cessação das hostilidades em toda a região (incluindo Gaza e Líbano) e o fim de quaisquer ameaças militares à república islâmica.
Rezaei também fez uma distinção entre as negociações em curso com Omã para definir novas rotas de navegação pelo estreito e a reabertura da via marítima. Mesmo que Teerã e Mascate cheguem a um arranjo sobre a circulação de embarcações, isso não significaria necessariamente o fim do bloqueio, segundo ele. “Esse acordo será uma questão separada do fechamento do estreito”, declarou.
No último domingo, o chanceler do Irã, Abbas Araqchi, já havia condicionado o desbloqueio de Ormuz ao aceite de condições pelos Estados Unidos, embora não haja negociações diretas entre Washington e Teerã. Na ocasião, ele citou explicitamente o pagamento de indenizações por danos causados pelos bombardeios. Rascunhos de negociações e acordos anteriores mencionaram cifras de até US$ 300 bilhões (aproximadamente R$ 1,5 trilhão) para planos de reconstrução e desenvolvimento econômico da república islâmica.
+ Trump diz que vai exigir indenização do Irã para encerrar guerra
Nova frente de batalha
Em paralelo aos ataques iranianos a embarcações no Estreito de Ormuz, aumentaram as ofensivas de seus aliados iemenitas, os rebeldes hutis, que têm visado navios em outro ponto estratégico para o transporte de petróleo, do outro lado da Península Arábica, entre o Mar Vermelho e o Golfo de Aden.
No mês passado, os hutis declararam um bloqueio naval contra a Arábia Saudita no Mar Vermelho, em resposta ao que descreveram como um cerco saudita contra eles no Iêmen — uma alegação negada por Riad, que apoia o governo iemenita oficial e é aliada dos Estados Unidos.
Combates entre os rebeldes e o Exército formal no Iêmen se intensificaram na segunda-feira: militares iemenitas informaram que sete pessoas — incluindo civis — morreram em um ataque huti à cidade portuária de Mocha, no Mar Vermelho. Sistemas de defesa aérea interceptaram e derrubaram 11 drones que participaram do ataque, segundo os soldados.
Já na terça 11, quatro tripulantes morreram em um suposto ataque dos hutis contra um navio de carga no estreito de Bab el-Mandeb, segundo o Ministério dos Transportes do Iêmen.







